Este anúncio ocorre depois que a Gazprom reduziu drasticamente suas entregas para a Europa esta semana através do gasoduto Nord Stream, citando a necessidade de manutenção de uma turbina
EXAME/Por: AFP

A Rússia mais uma vez reduziu suas entregas de gás para a Europa neste sábado, 30, suspendendo o fornecimento para a Letônia, um dia após o bombardeio mortal de uma prisão onde ucranianos eram mantidos detidos.
“Hoje, a Gazprom suspendeu as entregas de gás para a Letônia (…), devido à violação das condições de abastecimento de gás”, informou a gigante russa em comunicado no Telegram.
Este anúncio ocorre depois que a Gazprom reduziu drasticamente suas entregas para a Europa esta semana através do gasoduto Nord Stream, citando a necessidade de manutenção de uma turbina.
Gás dizendo que o gasoduto não poderia operar normalmente sem uma turbina que está sendo reparada no Canadá e que ainda não foi devolvida à Rússia devido às sanções ocidentais.
Desde então, Alemanha e Canadá concordaram em enviar o equipamento de volta à Rússia, mas a turbina ainda não foi entregue.
Enquanto isso, os ataques continuam no leste e no sul da Ucrânia, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamou na sexta-feira à noite o bombardeio de uma prisão que matou “mais de 50 pessoas” como um “crime de guerra russo deliberado”.
Moscou acusou as forças ucranianas de serem responsáveis pelo ataque à prisão de Olenivka, onde estavam prisioneiros de guerra ucranianos, em território separatista no leste da Ucrânia.
O exército russo reportou 40 mortos e 75 feridos, com as autoridades separatistas pró-russas na região de Donetsk citando até 53 mortos.
UE acusa forças russas
O Comitê de Investigação da Rússia acusou as forças ucranianas de terem “disparado contra a prisão onde estão detidos os membros do batalhão Azov, usando projéteis americanos do sistema Himars”.
O regimento Azov se destacou na defesa de Mariupol (sudeste). Após longas semanas de cerco e resistência na siderúrgica Azovstal, cerca de 2.500 combatentes ucranianos se renderam ao exército russo em maio. Moscou fez saber que eles seriam presos em Olenivka.
Mas a Ucrânia negou ter como alvo infraestruturas civis ou prisioneiros de guerra. O Estado-Maior ucraniano acusou a Rússia de tentar “acusar a Ucrânia de ter cometido crimes de guerra” e de “camuflar a tortura de prisioneiros e as execuções” que ali foram “perpetradas”.
Segundo a inteligência ucraniana, o ataque “foi realizado por mercenários da Divisão Wagner” e “não foi coordenado com a liderança” do ministério da Defesa russo.
Por sua vez, a União Europeia condenou “nos termos mais fortes as atrocidades cometidas pelas forças armadas russas e seus apoiadores”, em um comunicado de imprensa do seu chefe de diplomacia visando o bombardeio da prisão e as acusações de tortura.
“Estes atos desumanos e bárbaros constituem graves violações das Convenções de Genebra e de seu protocolo adicional e equivalem a crimes de guerra”, acrescentou Josep Borrell.
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