O centenário do educador Paulo Freire foi lembrado em seminário promovido pelas comissões de Legislação Participativa; de Cultura; de Direitos Humanos e Minorias; e de Educação da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (20). Patrono da Educação Brasileira, pela lei 12.612/12, Paulo Freire é reconhecido mundialmente, sendo nomeado doutor por várias universidades estrangeiras.
Os deputados que participaram do evento citaram obras de Freire como “Pedagogia do Oprimido”, que parte da conscientização dos estudantes e dos professores sobre a realidade em que eles estão inseridos.
A deputada Marília Arraes (PT-PE), uma das autoras do requerimento para o seminário, lembrou que o educador é alvo hoje de ataques de alguns grupos que, segundo ela, não o conhecem. “Primeiro, porque não leram Paulo Freire. Isso é óbvio, porque eles não leem. E, segundo, porque, se leram Paulo Freire, eles têm uma objeção muito grande à meta dele de transformar o Brasil numa nação. Tudo o que querem destruir hoje”, disse.
Paulo Freire participou da elaboração de um Plano Nacional de Alfabetização para o governo João Goulart, que não chegou a sair do papel porque o regime militar veio em seguida, em 1964, e o educador teve que ficar 15 anos fora do País. De volta ao Brasil, Freire iniciou trabalho como secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, em 1989, no governo de Luiza Erundina, hoje deputada federal pelo Psol.
Paulo Freire morreu em 1997 aos 75 anos. A viúva do educador, Nita Freire, disse que o marido era uma “alma generosa”. “Paulo tomava a experiência, a vivência, porque ele nunca trabalhou ideias, Paulo trabalhou a vida das pessoas, a sua própria vida”, declarou.
Lisete Arelaro, doutora em Educação, trabalhou com Paulo Freire em São Paulo e destacou a importância da gestão democrática da educação para ele. “Uma das primeiras atividades que Paulo Freire teve foi criar um pequeno vídeo chamado ‘aceita um conselho?’. Tinha aquele sentido dúbio sobre ao mesmo tempo dar um conselho e criar um conselho na escola de caráter deliberativo. Para que, de forma inovadora, pais, mães, avós, comunidade pudessem participar de uma forma mais interessante, mais ativa, mais construtiva na escola”, contou.
Por: Redação
Fonte: Agência Câmara