Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi

Mineradora USA Rare Earth tem apoio financeiro e institucional do governo dos EUA; acordo inclui contrato de 15 anos com pisos de preço para terras raras produzidas em Goiás

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
Amostras de minerais de terras raras • REUTERS/David Becker
A mineradora americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, em uma operação que pode redesenhar o mapa global de fornecimento de terras raras, insumos críticos para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
Segundo a companhia, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás.
A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira.
O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais.
A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group.
A Serra Verde é dona da mina Pela Ema, em Goiás, considerada um ativo estratégico por ser o único produtor em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. A operação ganha ainda mais relevância porque, segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027.
A transação ocorre em meio ao esforço dos Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência da China nesse mercado.
A própria USA Rare Earth destaca que conta com apoio do governo americano e que a operação inclui um contrato de 15 anos para venda de 100% da produção inicial de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, com pisos de preço definidos, o que reduz riscos de mercado.
Esses minerais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em setores estratégicos como defesa, semicondutores, energia e mobilidade elétrica.
Com a aquisição, a USA Rare Earth busca criar uma cadeia integrada fora da Ásia, que vai da mineração à produção de ímãs. A empresa projeta que a operação combinada pode gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora esses números dependam de condições de mercado e execução dos projetos.
Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA.
Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia.
Para o Brasil, o negócio reforça a relevância de seus recursos minerais no cenário global, mas também levanta questionamentos sobre o nível de agregação de valor no país, já que etapas industriais mais avançadas tendem a ser concentradas no exterior.
A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes.

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