Coletiva Escritoras Vivas lança livro artesanal na Flip 2026 e destaca a força da criação coletiva feminina

Grupo de São Gonçalo participou do Encontro de Saraus da Secec-RJ e apresentou ao público o livro artesanal Artefata, além de obras de autoras integrantes da coletiva

Por: Cyntia Fonseca

Escritoras Vivas/Divulgação

 

A Coletiva Escritoras Vivas, de São Gonçalo, marcou presença na programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), participando do Encontro de Saraus realizado nesse domingo (26), na Casa da Leitura e do Conhecimento. Durante o evento, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), em parceria com o Sebrae, o grupo lançou oficialmente o livro artesanal Artefata, fruto de um processo coletivo de criação literária e artística desenvolvido ao longo das últimas semanas.

Reunindo coletivos e movimentos literários de diferentes regiões do estado, o encontro reafirmou a importância da literatura como espaço de diálogo, diversidade e fortalecimento da produção cultural independente. A programação contou com a presença do superintendente de leitura da Secec-RJ, Gabriel Salabert; da mediadora de leitura da Secec-RJ, Ana Cristina Dutra Xavier; e da coordenadora de Economia Criativa do Sebrae, Nathalia Azevedo, que acompanharam as apresentações e prestigiaram os artistas convidados.

Antes do início das apresentações, a Casa da Leitura e do Conhecimento recebeu um momento especial de acolhimento, agradecimentos e celebração da literatura, marcado pela abertura simbólica do livro Artefata. A cerimônia reuniu as autoras da Coletiva Escritoras Vivas, representantes das instituições parceiras e convidados, simbolizando o compartilhamento da obra construída de forma colaborativa.

Na sequência, o encontro entre os saraus Q-Cria e Escritoras Vivas em Corpo-Palavra levou ao público uma programação que reuniu poesia, música e literatura autoral. Representando a coletiva participaram as escritoras Renatta Toledo, Cyntia Fonseca, Yonara Costa, Eloise Longobuco, Kelly de Maria, Marcia Veiga, Suzane Veiga, Deise Pontes, Vanessa Alves, Rosi Moraes, Rozely Vigas e Luciene Carris, que compartilharam textos, experiências e reflexões sobre a escrita produzida por mulheres.

O superintendente de Leitura e Conhecimento da Secec-RJ, Gabriel Salabert, destacou o papel da Casa da Leitura e do Conhecimento como espaço democrático de circulação da cultura.

“Nosso objetivo é ser uma casa que torne a Flip um pouco mais democrática. Então, temos muitos lançamentos de livros, dança, música, teatro, artesanato, debates. E hoje é um dia de encerramento e encerrar com uma galera assim, forte, vibrante, é muito bacana, muito bonito.”

Produzido durante a oficina O Artefato Livro, ministrada pela escritora e artista Yonara Costa no Polo de Inovação Gonçalense, o livro Artefata reúne poemas e experimentações literárias que dialogam com a escrita criativa, os processos colaborativos e a construção coletiva da arte. Costurado artesanalmente, o livro transforma cada página em um encontro de diferentes vozes femininas, registrando memórias, afetos e experiências compartilhadas.

Para Yonara Costa, a obra sintetiza a potência do fazer coletivo.

“Se eu vou, eu não vou só, tenho sempre essas mulheres maravilhosas junto comigo. Começamos a oficina, expliquei qual era a proposta, mas o tema saiu na hora, a capa saiu na hora, fizemos um protótipo manuscrito, todo em processo invertido, com o sumário ao contrário, os nomes das autoras em ordem alfabética ao contrário. Pela primeira vez dois homens participaram, Martim Costa com fotografia e Ezequiel Alcântara com uma trova, e, no fim, os exemplares impressos posteriormente foram literalmente costurados pela fada das Escritoras Vivas, Tânia Maria, que é mãe de uma das nossas autoras. Os únicos elementos coloridos são a logo da Editora Mapa das Letras e a fotografia com as mãos de todas que ficaram até o fim do primeiro dia de oficina. Assim, abrimos oficialmente nosso livro coletivo.”

Além do lançamento de Artefata, a Coletiva Escritoras Vivas deixou em exposição livros publicados por suas integrantes, evidenciando a diversidade da produção literária feminina contemporânea. Entre os títulos estiveram Mulher Gonçalense Tem Voz; Colocaram no Meu Café: Mascavo, Contos, Cartas e Poesia, de Deise Pontes; Entre Vozes e Olhares: A Defesa da Autoria Feminina, de Suzane Veiga; Orixás para Baixinhos, de Giselle Nascimento; Princesa Ayana numa Aventura Mágica, de Maria Flor Fonseca Diniz, em coautoria com Cyntia Fonseca; Anônima, de Vanessa Alves; 1964: O que ainda nos resta dizer?, de Luciene Carris; Quem Sou? e O Voo da Menina Cor, de Marcia Veiga, entre outras obras.

O Sarau Q-Cria, organizado pelo produtor cultural Alberto Rodrigues (Alberto Flisgo), também integrou a programação com a participação de Lygia Helena Pinheiro, Carla Cintia Conteiro, Marcelo Maldonado, Ayala Rossana, Yago Eloy, Gyander Matias e Thais Marques.

Ao final do encontro, as participantes celebraram a experiência vivida em Paraty. A escritora Renatta Toledo destacou o acolhimento do público e a importância da participação da coletiva na Flip.

“Foi lindo, dinâmico, afetuoso, alegre. Adorei participar. Vale a pena vir de São Gonçalo para Paraty num bate-volta. A cultura sempre em primeiro lugar.”

Já Rozely Vigas, que acompanha o trabalho da Coletiva Escritoras Vivas desde 2024, emocionou-se ao fazer sua primeira leitura pública fora do ambiente acadêmico.

“Foi um prazer enorme estar aqui nessa construção desde a escrita do posfácio da Artefata. É a minha primeira vez lendo em público para pessoas que não conheço e que não fazem parte da Academia, porque sou pesquisadora. Foi realmente emocionante.”

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