Vitor Duque é presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Sintsama-RJ)
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, a Cedae, vive um momento decisivo. Após superar anos difíceis e voltar a apresentar resultados superavitários, com reconhecimento nacional pela qualidade dos serviços prestados, a estatal precisa agora enfrentar seu maior desafio interno: a falta de pessoal. Defender a realização de um concurso público para a Cedae não é apenas uma bandeira sindical. É uma necessidade estratégica para o Estado do Rio de Janeiro.
Nos últimos anos, vimos o quadro de funcionários diminuir drasticamente em função de aposentadorias, do Programa de Demissão Voluntária (PDV) e da ausência de reposição. Hoje, trabalhamos no limite, com profissionais sobrecarregados que seguram com dedicação e competência a operação de uma das maiores empresas de saneamento do país.
Não podemos falar em universalização do saneamento, em cumprimento das metas do Marco Legal até 2033, e em ampliação de convênios com municípios que hoje querem voltar a ter a Cedae como prestadora, sem falar em gente. É preciso renovar, oxigenar e fortalecer a companhia. Por isso, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Sintsama), tenho defendido em todas as instâncias que o governo do Estado autorize imediatamente a realização de um concurso público amplo, transparente e urgente.
Mas não basta contratar. É preciso valorizar quem já está e quem vai chegar. Por isso, defendemos também, com a mesma urgência, a reformulação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). O atual plano está defasado, desestimula a permanência de talentos e não reconhece a complexidade e a responsabilidade das funções exercidas dentro da Cedae.
Um novo PCCS é a garantia de meritocracia, de progressão justa e de atração de novos profissionais qualificados. Uma Cedae pública, forte e bem equipada humanamente interessa a toda a população fluminense. Foi a Cedae pública que garantiu água durante a pandemia, que atendeu as comunidades mais vulneráveis, que mantém tarifas sociais e que hoje gera lucro para o Estado. Privatizar é fácil, difícil é manter o compromisso social que só uma empresa pública tem.
Já solicitamos audiência com o governador eleito, Douglas Ruas, para apresentar formalmente essa pauta. Vamos levar números, estudos e a voz dos trabalhadores da ponta. Queremos mostrar que investir na Cedae é investir no povo do Rio de Janeiro. O concurso público é o primeiro passo para garantir o futuro da Cedae. E garantir o futuro da Cedae é garantir água de qualidade, esgoto tratado e saúde para milhões de fluminenses. É por isso que lutamos. E é por isso que não vamos recuar.