Brasil teve atuação muito aquém do que se espera de um time que enfrenta a Venezuela
Lance/ Escrito Por: Alexandre Guariglia

A Seleção Brasileira conseguiu a proeza de empatar com a Venezuela, jogando em casa, mesmo tendo aberto o placar e ficado em vantagem por quase todo o segundo tempo. “Parecia impossível, mas ela foi lá e fez”. Esse é o sentimento do torcedor que presenciou o resultado ruim do Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Mas quem viu a partida sabe que a atuação foi muito longe da aceitável e o adversário mereceu o empate. O vexame dá margem para quem acha que Fernando Diniz não está preparado para o cargo e quer logo Carlo Ancelotti.
O time, sem dúvidas, preza pela posse de bola. Isso é uma marca do técnico e parece que foi logo assimilada. O jogo aproximado, as tabelas curtas, a concentração de jogadores em um lado do campo… Tudo isso é visto e tem o carimbo do “Dinizismo”, mas é claro que ainda falta muito para os jogadores se adaptarem a algo tão diferente e que carece de entrosamento.
E há algo que parece muito longe do ideal: a recuperação de bola. Jogar da forma com a qual Diniz gosta de ver futebol, os atletas precisam de intensidade tanto na posse de bola quanto na retomada dela. Mas o que se viu em Cuiabá foi uma equipe que não tinha o mínimo poder de recuperação de bola. A Venezuela passava fácil pela organização defensiva e trocava passes sem ser incomodada. Jogou livre.
Além disso, não foi incomum vermos contra-ataques venezuelanos com superioridade numérica em cima da defesa brasileira. Os jogadores da frente não voltavam para marcar ou para retomar a posse de bola. No futebol de Diniz ou em qualquer outro estilo da atualidade, isso é inaceitável. Não há como ter esse “vão” enorme entre os setores. O equilíbrio não exisitiu.
Fernando Diniz não acertou a mão para o jogo do Brasil contra a Venezuela (Foto: Nelson Almeida/AFP)
É possível diagnosticar que o meio-campo não seja “pegador”, ou seja, não tem jogadores que tenham como especialidade o “perde e pressiona”. Casemiro e Bruno Guimarães até fazem isso, mas são mais construtores do que qualquer coisa. Neymar, que completa o trio de meio, é um atacante e não marca. Para completar, os laterais e os pontas ficam abertos, deixando a dupla de volantes com “bomba”.
O calor pode até ter ajudado nessa falta de intensidade e potencializado o cansaço, mas o Brasil jogou muito mal. Pareceu um time que sabe jogar com a posse e não sabe jogar sem ela. Isso não é perdoado nem pelas mais fracas das seleções, como fez a Venezuela, que jogou bem, foi firme, equilibrada e mereceu o empate.
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