ISTOÉ Dinheiro/Rodrigo Favoretto

A cobrança por produtividade e a alta competitividade no mercado de trabalho fizeram com que a ansiedade se tornasse cada vez mais presente no ambiente profissional. Mas o seu diagnóstico agora pode se tornar mais fácil graças a um exame de sangue que permite diagnosticar o transtorno.
O exame desenvolvido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, utiliza biomarcadores para determinar objetivamente o risco de alguém desenvolver ansiedade, a gravidade de sua ansiedade atual e quais terapias mais adequadas para tratá-la. Os resultados foram publicados na publicação científica Molecular Psychiatry.
“A abordagem atual é conversar com as pessoas sobre como elas se sentem para ver se podem tomar medicamentos, mas alguns deles podem causar dependência e criar mais problemas. Queríamos ver se nossa abordagem para identificar biomarcadores sanguíneos poderia nos ajudar a associar as pessoas aos medicamentos existentes que funcionariam melhor e poderiam ser uma escolha não viciante”, disse o líder do estudo, o professor de psiquiatria Alexander Niculescu, em nota da universidade.
Niculescu já havia trabalhado no desenvolvimento de outros exames de sangue para a detecção de dor, depressão/transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático, com este último utilizando métodos semelhantes aos aplicados para o teste de ansiedade.
A pesquisa foi realizada em três fases distintas: descoberta, validação e teste. Os participantes realizaram exames de sangue em intervalos de três a seis meses ou sempre que ocorreu uma nova internação psiquiátrica.
Ao examinar os biomarcadores de RNA em seu sangue, os pesquisadores puderam identificar o estado atual de ansiedade de um participante e combiná-los com medicamentos e nutracêuticos (suplemento alimentar formado por compostos bioativos retirados de alimentos), opções mais eficazes para os pacientes com base em sua biologia.
Os biomarcadores de uma pessoa também podem mudar com o tempo e, segundo Niculescu, o teste pode ajudar a avaliar o risco de uma pessoa desenvolver níveis mais altos de ansiedade no futuro, bem como outros fatores podem afetar sua ansiedade, como alterações hormonais.
“Existem pessoas que têm ansiedade e não são devidamente diagnosticadas, então elas têm ataques de pânico, mas pensam que estão tendo um ataque cardíaco e vão para o pronto-socorro com todos os tipos de sintomas físicos”, disse Niculescu. “Se pudermos saber isso antes, podemos evitar essa dor e sofrimento e tratá-los mais cedo com algo que corresponda ao seu perfil.”
INFORMATIVO FLUMINENSE NOTÍCIA EM GERAL