Imagens: informativofluminense.com

Bancos que resistem o peso da história

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Esses bancos contam histórias. Só quem tem mais de 50 se lembra dos tempos áureos que serviços públicos, como a Educação e a Saúde e equipamentos públicos tinham que ter qualidade, a exemplo desses bancos em concreto armado com acabamento em marmorito ainda existentes no abrigo de passageiros situado na margem da BR-356 (Campos-Itaperuna) junto da Avenida Nazário Pereira Gomes, no bairro do Fundão. Era sinônimo de simplicidade com qualidade no ambiente público, mas embora simples, o formato ergonômico evidencia um sinal de como era, no passado, o compromisso com a qualidade na relação entre o poder público e aqueles que vendiam materiais e equipamentos bem como aqueles que prestavam serviços para o ente estatal.
Por outro lado, a legislação eleitoral era capenga, permissiva ao ponto do gestor público ter a “liberdade” de fazer sua propaganda pessoal de prefeitos e governadores nos equipamentos públicos. Nestes bancos da Praça do Fundão, a propaganda do então prefeito José Carlos Vieira Barbosa lhe valeu por décadas, pois os bancos foram instalados ali na década dos anos de 1970 e agora transcende como propaganda post-mortem. Em algumas cidades do interior do RJ ainda há bancos com nomes de prefeitos e de ex-governadores como Amaral Peixoto e Celso Peçanha, nas Estações Rodoviárias e praças.

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No passado, todo fornecedor de materiais e prestadores de serviços, como as construtoras que firmavam contratos com o poder público, fosse municipal, estadual ou federal tinham que atestar qualidade no que forneciam de materiais e ou equipamentos bem como naquilo que construíam ou faziam reparos. Exemplo disso são os antigos abrigos de passageiros e os bancos (quase ergonômicos) que eram instalados nos abrigos de passageiros e nas praças e demais locais públicos, como nos jardins, estações rodoviárias e ferroviárias. Os chamados bancos de praças e chafarizes resistiam até mesmo os vândalos.
Mas os tempos são outros. Na medida que houve ajuste na legislação eleitoral para coibir que os políticos em cargos eletivos façam propagandas escancaradas ou, de alguma forma tirem proveito dos equipamentos públicos para a autopromoção, no quesito qualidade para a venda de serviços e materiais e equipamentos para o ente público, houve frouxidão no sistema nacional. Tal constatação pode ser evidenciada, infelizmente, agora neste período de pandemia da Covid-19, quando ocorre festivais de equipamentos superfaturados, até mesmo respiradores falsificados foram entregues por fornecedores inescrupulosos e milhões que saíram dos cofres públicos da União para os governantes dos Estados salvar vidas foram desviados sem dó nem piedade.
Foi-se o tempo que a maior parte dos fornecedores e prestadores de serviços para o poder público se contentavam em ganhar dinheiro de forma honesta, ficando satisfeito com o volume de materiais e ou serviços que Prefeituras, Estado e União demandam, mas vivemos outro tempo. Afinal, a maior parte opta por se comportar na regra da lei de Gerson: querem levar vantagem em tudo, na base do negócio da China. Se tiverem que vender bancos iguais ao do ponto de ônibus do Fundão, como da era do Prefeito Zezé Barbosa, vão vender sim, mas em vez de concreto maciço, com armação feita com vergalhão de aço de qualidade, vão entregar bancos ocos, com gravetos de arame de baixa qualidade. Se a estrutura não resistir a dilatação do concreto fuleco na alta temperatura do verão e o banco rachar, ou se não resistir o peso de um gordinho de 120 quilos, a culpa será da variação climática ou da obesidade alheia. Só mesmo bancos de um outro tempo para resistir o peso das mudanças históricas.

Da: Redação

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