Segundo o levantamento, parte relevante da redução nas vendas externas está ligada ao desempenho dos óleos brutos de petróleo, que apresentaram queda de 39,1% frente a janeiro do ano passado. Além disso, mercadorias sujeitas a tarifas adicionais registraram retração média de 26,7%. Entre os itens atingidos por medidas vinculadas à Seção 232, a queda foi de 38,3%.
Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado negativo estão semiacabados de ferro ou aço, sucos, químicos inorgânicos e derivados de petróleo. O impacto das tarifas sobre bens industriais aparece como um dos fatores centrais para o enfraquecimento do fluxo comercial.
“Os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Ao observar apenas os itens submetidos a sobretaxas de 40% e 50%, a retração supera a média geral das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Produtos associados à Seção 232, como cobre e siderúrgicos, também registraram queda acima do conjunto da pauta. O movimento reforça a tendência verificada nos meses anteriores e sugere que as barreiras tarifárias seguem influenciando o desempenho das trocas bilaterais.
Apesar do cenário, parte dos embarques ao mercado americano apresentou desempenho superior ao das vendas destinadas a outros países. Entre os dez principais produtos exportados aos EUA em janeiro, seis tiveram resultado relativamente melhor que o observado no restante do mundo. É o caso de café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.
Em sentido oposto, alguns dos itens que perderam espaço nos Estados Unidos mostraram resultado mais favorável quando direcionados a outros destinos. O dado indica mudança na distribuição geográfica das exportações brasileiras, com redirecionamento parcial da pauta para diferentes mercados.
No cenário internacional, mesmo com a ampliação do déficit comercial norte-americano em bens, o Brasil permanece entre os parceiros com os quais os Estados Unidos mantêm superávit. Essa posição se consolidou nos últimos meses, de acordo com o monitor.
“O comércio entre Brasil e Estados Unidos é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos nos dois países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, diz Neto, da Amcham.
O Monitor do Comércio Brasil–EUA é publicado periodicamente pela Amcham Brasil com base em estatísticas oficiais. O relatório acompanha a evolução das exportações e importações entre os dois países e detalha movimentos setoriais, além de apontar tendências que afetam a balança comercial bilateral.