A decisão foi tomada em razão da inexistência de comprovação científica que sustente o benefício e a segurança do paciente (Crédito: Freepik)

Conselho de Medicina proíbe anabolizantes para fins estéticos

ISTOÉ Dinheiro/Raul Galhardi
A decisão foi tomada em razão da inexistência de comprovação científica que sustente o benefício e a segurança do paciente (Crédito: Freepik)

O CFM (Conselho Federal de Medicina) proibiu a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. Segundo a entidade, a decisão foi tomada em razão da inexistência de comprovação científica suficiente que sustente a existência de benefícios e a segurança do paciente.

A resolução foi publicada nesta terça-feira (10) no DOU (Diário Oficial da União). Além da recomendação, também foram vedadas a realização de cursos, eventos e publicidade que estimulem ou associem possíveis benefícios das terapias androgênicas a essas finalidades.

Apoiam a decisão as sociedades brasileiras de Endocrinologia e Metabologia, de Medicina do Esporte e do Exercício, de Cardiologia, de Urologia, de Dermatologia, de Geriatria e Gerontologia e as federações brasileiras de Gastroenterologia e das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. As entidades assinaram uma carta aberta em conjunto em março deste ano alertando para o aumento do número de casos de complicações por uso indevido de hormônios e pela publicidade voltada ao tema.

As organizações que assinam o documento afirmam que existe uma falta de comprovação científica quando a segurança do uso para a saúde humana e os dos seus benefícios. Também reafirmam que alguns profissionais atuam com falta de ética médica a pontuam outras áreas “com denominações que tem muito marketing, ao invés de ciência, além de não reconhecidas por nenhuma entidade médica”. Entre as práticas criticadas pelo grupo estão as de antienvelhecimento, medicina integrativa, desempenho e modulação hormonal.

“Esta resolução é uma vitória da boa Medicina e da Ciência. Ela protege a sociedade de uma narrativa que vinha sendo contada de que existe segurança no uso de terapias hormonais para essas finalidades, e em doses supra fisiológicas, o que não é corroborado pelas evidências científicas disponíveis e coloca em risco a vida dos pacientes”, destaca Paulo Augusto Miranda, presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Efeitos e possíveis danos

“Esteroides androgênicos e anabolizantes são substâncias sintéticas que imitam a ação da testosterona no organismo. O uso de anabolizantes para fins não médicos, como a melhoria estética ou de desempenho físico, pode ser extremamente prejudicial para a saúde de um indivíduo. Estes produtos podem aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico em curto prazo, mas o uso a longo prazo pode levar a uma série de problemas de saúde graves, principalmente quando não existe um trabalho multidisciplinar”, afirma Felipe França, nutricionista mestre em bioética pela Universidade UMSA (Argentina) e especialista em oxidologia e bioquímica celular.

Entre os possíveis danos que as substâncias podem causar estão aumento da pressão arterial, danos no fígado, problemas cardiovasculares, redução da fertilidade e alterações hormonais e psicológicas.

Além disso, segundo o Ministério da Saúde, o uso indevido pode levar a problemas crônicos como redução do número de espermas, calvície, ginecomastia e impotência sexual, no caso de homens, e engrossamento da voz, redução dos seios, aumento dos pelos e rompimento da menstruação em mulheres.

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