Por: ASCOM

O adiamento mais uma vez da conclusão das obras da usina nuclear de Angra lll pelo governo federal, trouxe perplexidade ao presidente da Frente Parlamentar Mista de Energia Nuclear do Congresso, deputado Julio Lopes ( PP). Para ele, a decisão de suspender a retomada das obras colabora para retardar um processo que custa bilhões de reais por ano, comprometendo e atrasando totalmente o avanço do setor nuclear brasileiro.
– Eu só posso lamentar esse posicionamento. Enquanto se discute um empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, a paralisação das obras de Angra lll causou em 2025 um prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres do governo. Todo esse prejuízo financeiro poderia ser evitado se a obra estivesse sendo tocada com os recursos oriundos de um Project One já estruturado pelo BNDES, onde a energia futura pagaria a obra, da mesma forma como ocorreu em Itaipu. A continuidade de Angra III é de fundamental importância para a segurança energética do país. Eu só posso lamentar e desejar que as obras sejam retomadas o quanto antes no ano que vem. Porém minha descrença e grande, já que 2026 será um ano eleitoral e o governo dificilmente decidirá a favor de uma obra desse porte em um ano eleitoral – explicou.
De acordo com o parlamentar, a decisão sobre a continuidade ou não das obras de Angra III é de responsabilidade do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), composto por 17 ministros. É preciso que o governo decida entre gastar R$ 24 bilhões para terminar ou R$ 26 bilhões para enterrar o projeto da usina, que já dura 39 anos e está paralisada desde a Operação Lava Jato.
– Angra III é a terceira maior usina nuclear do Brasil com uma capacidade energética de 1.400 megawats, que irá gerar enorme economia para milhões de consumidores e uma perspectiva de independência energética para o Rio de Janeiro, que terá 70% de sua energia provida por energia nuclear. Por isso é de grande importância que a obra seja retomada, o que não só fortaleceria a matriz energética nacional, como também contribuiria para os esforços globais de descarbonização, reforçando a posição do Brasil como um ator comprometido com soluções sustentáveis. A não conclusão de Angra III pode ser considerado um crime contra a economia e o sistema elétrico do país – afirma Julio.
O parlamentar destacou também que a possibilidade da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) ser transformada em Agência Reguladora Nuclear (ARN), será algo absolutamente importante e estratégico para o sistema nuclear brasileiro, que irá assegurar ao setor toda a perspectiva de segurança, estratégia e coordenação para um melhor desempenho, além de proporcionar maior autonomia administrativa, técnica e financeira. A proposta já foi enviada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Julio defende ainda que a futura agência seja considerada como uma autarquia que funcionará sob regime especial.
– Já estivemos reunidos com o diretor- presidente da ANSN, Alessandro Facure, onde conversamos longamente sobre o crescimento da agência e a ampliação de sua autonomia regulatória, visando uma carreira própria e especializada que se adapte ao nosso complexo setor nuclear. Precisamos de um modelo de regulação mais forte para que possamos avançar na estruturação de um órgão que terá a capacidade de garantir previsibilidade, segurança e maior competitividade no setor nuclear brasileiro. Com a nova Agência Reguladora Nuclear (ARN) teremos maior autonomia institucional, condição essencial para garantir a credibilidade, transparência e a eficiência da regulação nuclear de acordo com os padrões internacionais exigidos pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – afirma Julio.
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