Diniz nega conflito ético Fluminense x seleção e diz que aplicará ‘Dinizismo’ no sistema tático do Brasil: ‘Não vou mudar’
05/07/202364 Visuzalicações
Nesta quarta-feira (5), o técnico Fernando Diniz, do Fluminense, concedeu sua 1ª entrevista coletiva como novo treinador interino da seleção brasileira.
Por: ESPN Brasil
Divulgação
Nesta quarta-feira (5), o técnico Fernando Diniz, do Fluminense, concedeu sua 1ª entrevista coletiva como novo treinador interino da seleção brasileira.
Questionado sobre um possível “conflito de interesses” em suas convocações, já que ele pode acabar desfalcando por tabela os adversários do Tricolor, Diniz ressaltou a ética que rege sua vida e seu trabalho e negou qualquer problema.
“E ética tem muito a ver com a pessoa que vai tomar as decisões. Ela não está no conflito. Se as pessoas presumem que vai ter um conflito de interesses e acham que tomarei algum partido, estão presumindo que não tenho ética”, bradou.
“Se eu ligasse para o que pensam de mim, não teria feito nada no futebol, porque, na minha carreira, recebi muito mais críticas do que elogios, pela minha maneira de enxergar o futebol e o mundo”, seguiu.
“Construí minha carreira de treinador com base no que fui como jogador, no sofrimento que passei. E uma das coisas que me atordoava era a falta de ética no mundo do futebol. As pessoas confundiam jogadores que jogavam bem com o fato de serem boas pessoas, e isso muitas vezes não correspondia aos fatos. Muita gente trabalhadora era julgada por uma bola que entrou ou não, por uma jogada certa ou não”, lembrou.
“A ética que eu tenho me fez suportar o sofrimento por muito tempo enquanto eu jogava, e me fez tornar o treinador que me tornei. Não fiz estágio com ninguém, passei de jogador para treinador muito por questão de ética. Agora, é uma chance da gente mostrar que o futebol não está acima da ética e acima da vida”, argumentou.
“O futebol é um espaço de convivência que temos que colocar as coisas boas da vida dentro dele, e a ética é uma delas. Serei a mesma pessoa de sempre. Sei que, quando tiver que fazer uma convocação, terei que tomar decisões, e a ética vai pautar minhas decisões”, assegurou.
“As pessoas vão me avaliar de acordo com o juízo de cada um, e eu vou deliberar sobre o que posso ou não fazer. É isso que fiz a vida inteira. Estou extremamente tranquilo. Nesse ponto (ética), a CBF apontou na pessoa certa”, concluiu.
Questionado novamente sobre o tema, Diniz fez novas ressalvas sobre os possíveis conflitos éticos de seu trabalho conjunto entre Fluminense e seleção.
“É uma questão prática, mas que está recheada de subjetividade. Meu critério de subjetividade vai se basear muito na minha ética. Um fato concreto é que a convocação terá que acontecer. Mas a gente está antecipando a chance disso (conflito de interesses) acontecer”, observou.
“Quando eu estiver trabalhando na CBF, vou procurar o que é melhor para a CBF, olhar o cenário brasileiro como um todo e tomar a melhor decisão possível. Você sabe que os treinadores da seleção, quando fazem uma convocação, sempre alguém questiona alguma coisa ou outra. Então, questionamentos podem ter, mas não baseados em falta de ética”, afirmou.
“Vou procurar fazer o melhor que tenho com conhecimento de futebol, senso de justiça e ética, que são coisas que prezo muito”, finalizou.
“Dinizismo” no sistema tático
Fernando Diniz também assegurou que aplicará seu famoso “Dinizismo” no sistema tático da seleção brasileira, mesmo com pouco tempo para treinar seus comandados na Canarinha.
De acordo com o técnico, não é necessário muito tempo para que os atletas entendam seus conceitos de futebol.
“Sobre meu estilo de jogo, vou tentar reproduzir o que sempre fiz. Não vou mudar. Agora, terei uma grande fartura de jogadores, a melhor matéria prima do mundo, para tentar executar a melhor maneira que eu conseguir as ideias que eu tenho”, ressaltou.
“Eu acho que interfere, sim, o fato de ter menos tempo (para treinar com os jogadores), mas, como eu disse antes, as coisas básicas a gente consegue passar com pouco tempo. Criar um alicerce para a gente ir, aos poucos, difundindo a ideia. Acredito que o jogo vai ter fluência conforme a gente for se encontrando, mesmo com pouco tempo”, acrescentou.
“Com pouco tempo, seja no Fluminense ou nos outros clubes que passei, sempre deu para colocar algumas coisas do nosso trabalho. Não vamos fazer mudanças táticas radicais com um ou dois dias de treino, mas logo vamos melhorar”, explicou.
“Meu trabalho não é só sair jogando com o goleiro ou com toque de bola. Futebol é muito mais do que isso. Para isso acontecer, outras coisas têm que estar mais sedimentadas para o jogo ter fluência. O tempo que eu tiver vou aproveitar bem para que, aos poucos, os jogadores vão amadurecendo as ideias técnicas e táticas que tenho na cabeça”, complementou.
A estreia oficial do novo treinador será nas Datas Fifa de setembro deste ano, quando começam as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo 2026.
Próximos jogos da seleção brasileira
Bolívia (C) – 04/09 – eliminatórias da Copa-2026
Peru (F) – 12/09 – eliminatórias da Copa-2026
Venezuela (C) – 09/10 – eliminatórias da Copa-2026