Especialistas explicam como mudanças afetivas podem repercutir na infância
Metrópoles/Fábia Oliveira

O fim do relacionamento entre o cantor Zé Felipe e a cantora Ana Castela reacendeu um debate sensível sobre os impactos que mudanças na vida afetiva dos pais podem ter sobre os filhos.
Mesmo quando as relações são breves, especialistas alertam que crianças percebem ausências, criam vínculos e reagem às rupturas de maneiras diferentes, conforme a idade e o grau de convivência. Relações rápidas também podem gerar apego e exigir diálogo, acolhimento e estabilidade para evitar inseguranças emocionais.
Pai de Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo, Zé Felipe atravessa um momento de grande exposição da vida pessoal, o que amplia a atenção sobre como essas transformações afetam o ambiente familiar.
Especialistas fazem alerta
Para a pediatra Renata Castro, a forma como os adultos lidam com a situação é determinante para a saúde emocional das crianças.
“A infância precisa de previsibilidade. Mudanças fazem parte da vida, mas quando vêm acompanhadas de diálogo, rotina e segurança emocional, o impacto tende a ser menor. O que machuca não é a separação em si, mas a sensação de instabilidade”, explica.
O médico especialista em saúde mental Iago Fernandes destaca que relacionamentos que começam e terminam rapidamente podem gerar confusão emocional, sobretudo quando a criança passa a conviver e criar afeto por essa nova figura.
“Crianças constroem vínculos com base na constância e na presença emocional. Quando alguém entra de forma intensa e sai abruptamente, isso pode ser vivido como uma pequena perda, mesmo que o vínculo tenha sido curto”, afirma. Segundo ele, sentimentos como insegurança, tristeza e medo de abandono podem surgir, dependendo da idade e da proximidade.
Diálogo é fundamental
A forma de explicar o término também exige cuidado. Iago reforça que o ideal é uma conversa simples, honesta e adequada à maturidade da criança. “Não é necessário entrar em detalhes da vida adulta, mas é fundamental deixar claro que a decisão não tem relação com ela. Reforçar que continua sendo amada e protegida reduz sentimentos de culpa e ansiedade”, orienta. Manter a rotina, abrir espaço para perguntas e acolher emoções sem julgamento fazem parte do processo.
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