Fim do namoro de Zé Felipe e Ana Castela pode afetar filhos; entenda

Especialistas explicam como mudanças afetivas podem repercutir na infância

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O fim do relacionamento entre o cantor Zé Felipe e a cantora Ana Castela reacendeu um debate sensível sobre os impactos que mudanças na vida afetiva dos pais podem ter sobre os filhos.

Mesmo quando as relações são breves, especialistas alertam que crianças percebem ausências, criam vínculos e reagem às rupturas de maneiras diferentes, conforme a idade e o grau de convivência. Relações rápidas também podem gerar apego e exigir diálogo, acolhimento e estabilidade para evitar inseguranças emocionais.

Pai de Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo, Zé Felipe atravessa um momento de grande exposição da vida pessoal, o que amplia a atenção sobre como essas transformações afetam o ambiente familiar.

Especialistas fazem alerta

Para a pediatra Renata Castro, a forma como os adultos lidam com a situação é determinante para a saúde emocional das crianças.

“A infância precisa de previsibilidade. Mudanças fazem parte da vida, mas quando vêm acompanhadas de diálogo, rotina e segurança emocional, o impacto tende a ser menor. O que machuca não é a separação em si, mas a sensação de instabilidade”, explica.

O médico especialista em saúde mental Iago Fernandes destaca que relacionamentos que começam e terminam rapidamente podem gerar confusão emocional, sobretudo quando a criança passa a conviver e criar afeto por essa nova figura.

“Crianças constroem vínculos com base na constância e na presença emocional. Quando alguém entra de forma intensa e sai abruptamente, isso pode ser vivido como uma pequena perda, mesmo que o vínculo tenha sido curto”, afirma. Segundo ele, sentimentos como insegurança, tristeza e medo de abandono podem surgir, dependendo da idade e da proximidade.

Diálogo é fundamental

A forma de explicar o término também exige cuidado. Iago reforça que o ideal é uma conversa simples, honesta e adequada à maturidade da criança. “Não é necessário entrar em detalhes da vida adulta, mas é fundamental deixar claro que a decisão não tem relação com ela. Reforçar que continua sendo amada e protegida reduz sentimentos de culpa e ansiedade”, orienta. Manter a rotina, abrir espaço para perguntas e acolher emoções sem julgamento fazem parte do processo.

A psiquiatra Jessica Martani acrescenta que os relacionamentos dos pais funcionam como modelos emocionais para os filhos. “De forma inconsciente, a criança pode associar vínculos afetivos a algo instável e passageiro, como se as pessoas entrassem e saíssem sem previsibilidade. Isso pode gerar insegurança emocional, medo de abandono e impacto na formação da autoestima, com possibilidade de repetição desses padrões na vida adulta”, explica.

Ela ressalta que não existe uma fórmula única para lidar com esse tipo de situação. “As explicações variam conforme a idade e a personalidade da criança. O mais importante é que ela entenda que não tem culpa, que nem todos os relacionamentos dão certo e que seus sentimentos são legítimos”, afirma. Segundo Jessica, é comum que crianças desenvolvam apego a novos parceiros dos pais e vivenciem uma espécie de luto quando essa presença deixa de existir.

A importância do acompanhamento psicológico

Para Renata Castro, validar as emoções é um passo essencial. “Minimizar a tristeza ou fingir que nada aconteceu pode ser mais prejudicial do que a própria separação. Quando a criança se sente ouvida, ela aprende a lidar melhor com frustrações”, diz. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico pode ajudar a transformar a experiência em aprendizado emocional, e não em trauma.

Mais do que o tempo de duração de um relacionamento, os especialistas concordam que o cuidado, a coerência emocional dos adultos e a estabilidade oferecida no dia a dia são os fatores que realmente influenciam a forma como as crianças elaboram mudanças afetivas ao seu redor.

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