Ministro defendeu a tributação de grandes fortunas como “um imperativo moral diante do avanço das oligarquias dentro das democracias”

Durante sua palestra no Instituto de Estudos Políticos de Paris, da Sciences Po, nesta segunda-feira (31), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Brasil e França estão atuando em uma estratégia de cooperação entre países do Norte e do Sul Global para avançar no debate internacional sobre a taxação dos super-ricos.
Haddad defendeu a tributação de grandes fortunas como “um imperativo moral diante do avanço das oligarquias dentro das democracias”.
Haddad lembrou que a proposta, inspirada nas ideias dos economistas franceses Gabriel Zucman e Esther Duflo, sugere a criação de um imposto global sobre os super-ricos, mirando principalmente os bilionários que acumulam patrimônio sem pagar proporcionalmente aos seus ganhos.
Este foi um dos pontos principais na presidência do Brasil no G20.
“Sem o apoio de intelectuais como Gabriel Zucman e Esther Duflo, o primeiro passo para uma tributação coordenada dos super-ricos não teria sido alcançado com a Declaração sobre Cooperação Tributária Internacional e o documento final da Cúpula do G20 no Rio, em novembro passado”, disse.
A estimativa é que uma alíquota mínima global sobre grandes fortunas poderia gerar centenas de bilhões de dólares anuais, destinados ao combate às desigualdades e ao financiamento de políticas climáticas.
Ele ainda pontuou que espera “poder reeditar essa parceria franco-brasileira na COP 30 com outras bandeiras”.
Financiamento climático
Além da tributação dos mais ricos, Haddad reforçou que a COP-30, que ocorrerá em Belém (PA), no fim do ano, deve ser a “COP da implementação”, focada em ações concretas e no direcionamento de recursos para países em desenvolvimento.
Como parte desse esforço, o Brasil pretende contribuir para o Roadmap Baku-Belém, uma iniciativa que busca canalizar US$ 1,3 trilhão para financiamento climático até 2035.
“Na esteira do Plano de Transformação Ecológica e da presidência brasileira do G20, vamos trabalhar para posicionar o Brasil como líder pelo exemplo e pela cooperação em prol de um multilateralismo reforçado”, disse.
Outras propostas
O ministro também mencionou a criação do Tropical Forest Forever Facility (TFFF), um mecanismo que busca transformar doações internacionais em investimentos permanentes para a preservação de florestas tropicais.
“A passagem do paradigma da doação para o de investimento com retorno, de modo a incentivar os países desenvolvidos a se envolverem com a proteção das florestas mesmo em um momento de restrições fiscais. Uma vez constituído, o TFFF tem o potencial de impactar um bilhão de hectares de florestas, o equivalente a 18 vezes o território da França, em 70 países em desenvolvimento, começando pelo Brasil”, afirmou na ocasião.
Outra proposta é o “Clube do Carbono”, que tem como intuito de “propor novas formas de coordenação para regulação das emissões internacionais que atenda as necessidades dos países emergentes”.
Para Haddad, os desafios climáticos e sociais exigem um multilateralismo mais robusto e eficiente.
“A melhor resposta à crise do multilateralismo é ousarmos ainda mais no multilateralismo”, afirmou.
O ministro enfatizou que o Brasil tem buscado liderar esse debate tanto no G20 quanto nas negociações climáticas.