Haddad: inflação acumulada em 4 anos será a menor de um mandato desde o Plano Real

IstoÉDinheiro/Matheus Almeida

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala durante evento do Banco Safra (Crédito: Reprodução/Banco Safra)

 

Apesar da inflação brasileira ter ficado acima do teto da meta em 2024 e manter-se elevada ao longo de 2025, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou acreditar que o governo Lula entregará a alta dos preços em um patamar histórico desde o início do Plano Real.

“Nós vamos terminar o mandato com a menor inflação de um mandato desde o Plano Real. Seguramente a inflação acumulada em 4 anos será pela primeira vez inferior a 20%“, disse Haddad durante evento promovido pelo Banco Safra nesta terça-feira (16).

A alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, considerado a inflação oficial do país) acumulada em 12 meses até agosto de 2025 foi de 5,13%. Nos oito primeiros meses do ano, a alta foi de 3,15%. Em agosto, foi registrada deflação de 0,11%.

O ministro afirmou ainda que espera “um crescimento médio próximo de três e o desemprego da mínima histórica” ao final do terceiro mandato do presidente Lula. Apesar do país estar de fato no ponto mais baixo da série histórica, as previsões para o crescimento da economia estão piorando em um cenário de alta dos juros para conter a inflação.

A última edição do Boletim Focus, que reúne as projeções do mercado financeiro para a economia, prevê um PIB (Produto Interno Bruto) de 2,16% para 2026 e de 1,80% para 2025. O ministro discorda. “Tenho muita esperança de que o PIB potencial do Brasil vai superar os 2,5% estimados hoje”, disse Haddad.

Haddad espera corte de juros

O alto patamar da taxa básica de juros, mantida em 15% desde junho, contribui para a desaceleração da economia. Haddad afirmou no entanto que acredita em um corte próximo na Selic.

“Eu penso que nós vamos entrar numa trajetória de queda de juros com sustentabilidade”, disse o ministro, citando reformas como a tributária, a das leis de seguro e a do crédito, além de iniciativas de economia verde e das políticas do governo focadas em data centers.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou sua reunião bimestral nesta terça-feira, com o mercado financeiro prevendo de forma consensual a manutenção da taxa Selic no atual patamar de 15%. A expectativa, segundo o boletim Focus, é que a taxa permaneça inalterada até o final de 2025, recuando para 12,38% ao término de 2026.

Meta fiscal

O ministro também defendeu a gestão das contas públicas promovida no atual governo. “Eu penso sinceramente que o arcabouço fiscal, do ponto de vista de arquitetura, está funcionando conforme previsto. Nós temos um limite de gasto que está sendo respeitado”, disse.

Em sua fala, Haddad elogiou a colaboração do Congresso para cumprimento da meta: “Nós obviamente dependemos do que não tem nos faltado, que é a compreensão do Congresso Nacional, tanto do ponto de vista de limitação de despesas, exclusão de pautas bombas, geração de despesas indevidas, quanto a questão da recomposição da base fiscal do Estado brasileiro, que foi dilapidada por 10 anos”.

O governo estabeleceu como meta fiscal um resultado primário de zero para 2025. Para 2026, o objetivo é um superávit de 0,25% do PIB. Em ambos os anos, há uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para cima ou para baixo.

Além disso, verifique

Custo da cesta básica sobe em todas as 27 capitais; SP lidera ranking, diz Dieese

Da: Istoé Dinheiro/Com Estadão Conteúdo   O custo dos alimentos essenciais aumentou em todas as …