Tempestade deixa milhares de mortos e desaparecidos na Líbia Handout/Anadolu Agency via Getty Images

Inundações na Líbia são até 50 vezes mais prováveis devido à crise climática

Segundo cientistas, mudanças climáticas também tornaram as chuvas até 50% mais intensas no país; Temporais na Grécia, Turquia e Bulgária, são até 10 vezes mais prováveis e 40% mais intensos com aquecimento global
Laura Paddison, da CNN
Tempestade deixa milhares de mortos e desaparecidos na Líbia
Handout/Anadolu Agency via Getty Images
As chuvas mortais que causaram inundações e destruição catastróficas na Líbia e em outras partes do Mediterrâneo este mês se tornaram muito mais prováveis e agravadas pela crise climática causada pelo homem, além de outros fatores humanos, de acordo com uma nova análise científica.
A iniciativa World Weather Attribution (WWA) – uma equipe de cientistas que analisa o papel das mudanças climáticas após fenômenos meteorológicos extremos – descobriu que a poluição que aquece o planeta tornou as chuvas mortais na Líbia até 50 vezes mais prováveis de ocorrer e 50% piores. Eles também descobriram que as chuvas extremas que atingiram a Grécia, a Turquia e a Bulgária são até 10 vezes mais prováveis.
A destruição causada pelas chuvas foi agravada por uma série de outros fatores, incluindo infraestruturas inadequadas e construções em áreas propensas a inundações, de acordo com a análise publicada terça-feira (19).
Chuvas extremas têm atingido grande parte da região do Mediterrâneo desde o início do mês. No dia 3 de setembro, a Espanha registou enormes quantidades de chuva em apenas algumas horas, provocando inundações que mataram pelo menos seis pessoas. Depois formou-se a tempestade Daniel, causando graves inundações durante quatro dias na Grécia, na Turquia e na Bulgária.
Pelo menos 17 pessoas morreram na Grécia e grandes extensões de terras agrícolas na parte central do país ficaram submersas, causando danos que, segundo os especialistas, poderão levar anos para recuperar. A tempestade Daniel também causou pelo menos sete mortes na Turquia e quatro na Bulgária.
Contudo, sem dúvidas, os impactos mais catastróficos ocorreram na Líbia. Alimentada pelas águas excepcionalmente quentes do Mediterrâneo, a tempestade Daniel despejou quantidades recordes de chuva em partes do nordeste do país, levando ao colapso de duas barragens e resultando em uma onda de 7 metros que atingiu a cidade de Derna, arrastando pessoas e edifícios para o mar.
Estimativas oficiais sugerem que cerca de 4 mil pessoas foram mortas, enquanto mais de 10 mil continuam desaparecidas.
Para compreender o impacto das mudanças climáticas na probabilidade e intensidade destas fortes chuvas, os cientistas da WWA analisaram dados climáticos, bem como modelos climáticos, que lhes permitem comparar o clima atual – cerca de 1,2º Celsius mais quente do que os níveis pré-industriais – com um mundo sem mudanças climáticas.
Eles descobriram que na Líbia, não só as mudanças climáticas tornaram as chuvas extremas até 50 vezes mais prováveis, como também as tornaram até 50% mais intensas.

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