Israel aprova plano para facilitar saída voluntária de palestinos de Gaza

Críticos alertam que medida pode equivaler a limpeza étnica; autoridades israelenses afirmam que emigração seria em conformidade com os padrões legais internacionais

Dana Karni, Tim Lister e Nadeen Ebrahim, da CNN

Moradores de Gaza fogem de Beit Hanoun após Israel ordenar saída • Reuters

 

O gabinete de segurança de Israel aprovou uma proposta para facilitar a emigração de palestinos da Faixa de Gaza, uma medida que críticos alertam que pode equivaler a uma limpeza étnica.

O ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, disse no domingo (23) que o gabinete de segurança aprovou a proposta do ministro da Defesa Israel Katz.

Segundo ele, o objetivo é organizar “uma transferência voluntária para moradores de Gaza que expressarem interesse em se mudar para países terceiros, de acordo com a lei israelense e internacional, e seguindo a visão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”.

A decisão marca apoio considerável ao plano de Trump para deslocar os moradores do território palestino e acontece apesar da promessa anterior do primeiro-ministro israelense de não deslocar permanentemente a população civil de Gaza.

Mas críticos afirmam que qualquer deslocamento em massa de moradores de Gaza no meio de uma guerra equivaleria a uma limpeza étnica, um ato associado a crimes de guerra e crimes contra a humanidade sob a lei internacional.

Além disso, grupos de ajuda argumentam que os ataques israelenses tornaram a vida em Gaza quase impossível.

Martin Griffiths, a principal autoridade de ajuda emergencial da ONU, chamou o território de “inabitável”, destacando que seu povo está “testemunhando ameaças diárias à sua própria existência”.

Ministério da Defesa de Israel será acionado

O plano prevê o estabelecimento de uma administração dentro do Ministério da Defesa “para preparar e facilitar o movimento seguro e controlado de moradores de Gaza que desejam se mudar voluntariamente para terceiros países”, de acordo com uma declaração da pasta.

Seu trabalho incluiria “estabelecer rotas de movimento, verificações de pedestres em cruzamentos designados na Faixa de Gaza” e infraestrutura para permitir que as pessoas saiam.

O ministro de Estado para Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Varsen Aghabekian Shaheen, disse a Becky Anderson, da CNN, no mês passado que os palestinos “estão firmes em permanecer em suas terras e não se mudarão”.

Israel quer implementar ideia de Trump

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no domingo que o país está usando “todos os meios para implementar a ideia do presidente dos Estados Unidos”, de acordo com a declaração do ministério.

Neste mês, Donald Trump pareceu voltar atrás em comentários sobre o deslocamento da população de Gaza, dizendo aos repórteres que “ninguém está expulsando nenhum palestino”.

No ano passado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país não tinha intenção de deslocar palestinos ou ocupar Gaza.

A proposta de Trump, no entanto, trouxe a ideia à tona, seno que políticos de Israel agora discutem abertamente a emigração em massa de moradores de Gaza como uma solução para a guerra.

Além disso, Katz ressaltou na semana passada que Israel pode manter uma presença permanente no território vizinho.

Críticas à aprovação da proposta de Israel

O grupo israelense Peace Now criticou à proposta aprovada por Israel, dizendo que “o estabelecimento da administração para expulsar os palestinos de Gaza é uma das ações mais estúpidas de um governo que perdeu toda a direção e o pensamento lógico”.

Especialistas também alertaram que deslocar os palestinos desestabilizaria ainda mais a região e ameaçaria a segurança dos estados vizinhos.

O ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, afirmou no domingo que o gabinete de segurança também aprovou a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.

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