Lula tenta reforçar imagem de equilíbrio no G7 no Canadá, após ida a Moscou

Cúpula será chance de mostrar que o Brasil é um líder do Sul global, mas que também dialoga com as grandes potências, dizem fontes

CNN Brasil/Priscila Yazbek

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente do Brasil • 03/06/2025REUTERS/Adriano Machado

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará reforçar a imagem de multilateralismo do Brasil na cúpula do G7, no Canadá, que começa nesta segunda-feira (16). Segundo fontes do governo, o encontro será uma oportunidade de reforçar que Lula não é apenas um líder do sul Global, mas tem trânsito também entre as grandes potências.

O presidente participará do encontro nas montanhas de Kananaskis, na província de Alberta, a convite do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Esta será a sua nona participação em cúpulas do G7.

Fontes diplomáticas afirmam que o presidente brasileiro deve buscar no Canadá reforçar a imagem de um líder que conversa com russos e ucranianos, com países do Brics e também com a elite global.

A intenção do governo é reforçar que o Brasil é um país equilibrado, que conversa com todos os atores, depois das críticas recebidas pela visita de Lula ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, no início de maio, para as comemorações do Dia da Vitória.

Com foco nesse objetivo, Lula aceitou o convite para uma reunião bilateral com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na terça-feira (17). Há um temor entre os diplomatas, porém, que o encontro não se concretize, como no G7 de Hiroshima, em 2023.

Mas a reunião é crucial para o presidente recuperar a imagem de equilíbrio depois de ter sido o único líder de um país democrático relevante a participar do Dia da Vitória na Rússia. E também depois de repetir diversas vezes que tanto Moscou quanto Kiev são responsáveis pela guerra, algo que incomoda não só Volodymyr Zelensky, como as potências ocidentais.

Lula também viajou à China, depois de passar pela Rússia, por isso fontes afirmam que no Canadá será o momento de o Brasil dizer que não conversa apenas com os países do Brics, mas também com as potências globais.

No encontro, Lula deve abordar sua preocupação com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, conforme apuração da âncora Débora Bergamasco. O presidente vai salientar que não é possível falar em segurança energética sem tratar da paz no mundo. Lula não deve condenar diretamente Israel e Irã, conflito o será o pano de fundo de sua fala pública

Além do encontro com o presidente ucraniano, até este domingo (15) estava prevista oficialmente apenas uma reunião bilateral: com o anfitrião do evento, Mark Carney.

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