Mesmo com queda nos EUA, Brasil bate recorde de exportações em 2025

Dados da balança comercial de 2025 foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Mesmo com uma queda nas vendas para os Estados Unidos, em razão do tarifaço, o Brasil bateu um novo recorde de exportações em 2025. Ao todo, foram US$ 348,7 bilhões em produtos vendidos para o exterior, superando em US$ 9 bilhões o recorde de 2023, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6).

Segundo a pasta, as exportações tiveram um aumento de 3,5% em valores em relação ao ano passado, enquanto em volume o crescimento foi de 5,7%. O percentual é maior que o dobro previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para o crescimento global das exportações em 2025, de 2,4%.

O resultado foi impulsionado pelas vendas para a China, que se consolidou como o principal parceiro comercial brasileiro. De janeiro a dezembro de 2025, as exportações aumentaram de US$ 94,37 bilhões para US$ 100 bilhões com o gigante asiático, um avanço de 6%.

Na teoria, em números totais, a expansão do comércio com os chineses compensou a queda com os Estados Unidos. As vendas para os americanos tiveram uma queda de 6,6% em 2025. Foram vendidos para os americanos o equivalente a US$ 37,7 bilhões no ano passado, ante US$ 40,3 bilhões em 2024.

O resultado se dá em um contexto afetado por sobretaxas que somadas chegaram a 50%. Assim que assumiu o mandato, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 10% básica para quase todos os parceiros comerciais dos americanos, com o objetivo de fortalecer a produção local.

Porém, em julho, o Brasil foi alvo de uma sobretaxa de 40% sobre centenas de produtos importantes da pauta do comércio bilateral, incluindo café, carne e outros produtos do agro e da indústria. Em novembro, Trump anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% para uma série de produtos, em especial do Agro. A medida fez com que as exportações saíssem de uma queda de 35,4% em outubro, para uma queda de apenas 7,2% em dezembro.

“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos. O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil (NIB) e com o Plano Brasil Soberano”, disse o ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Importações batem recorde e pressionam o superávit

Apesar do recorde nas exportações, as importações do país também tiveram uma nova alta em 2025, alcançando US$ 280,4 bilhões, valor 6,7% superior ao de 2024. O resultado pressionou o superávit, que ficou em US$ 68,3 bilhões, o terceiro maior da série histórica, atrás de 2023 e 2024.

O país registrou recorde nas exportações de carne bovina (US$ 16,6 bilhões), carne suína (US$ 3,4 bi), alumina (US$ 3,4 bi), veículos automóveis para transporte de mercadorias (US$ 3,1 bi), caminhões (US$ 1,8 bi), café torrado (US$ 1,2 bi), máquinas e aparelhos elétricos (US$ 1,0 bi), máquinas e ferramentas mecânicas (US$ 729 mi), produtos de perfumaria (US$ 721 mi), cacau em pó (US$ 598 mi), instrumentos e aparelhos de medição (US$ 593 mi) e defensivos agrícolas (US$ 495 mi).

Em relação às importações, os bens de capital tiveram aumento de 23,7%, seguidos por bens intermediários (+5,9%) e bens de consumo (+5,7%). As importações de combustíveis recuaram 8,6%. Cresceram as compras de produtos originários da China (11,5%), Estados Unidos (11,3%) e União Europeia (6,4%). A importação de produtos argentinos recuou 4,7%.

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