Meta anuncia cabo submarino que conectará 5 continentes

IstoÉDinheiro/Deutsche Welle

Com 50 mil km de extensão, estrutura para transmissão de dados ligará Brasil, EUA, África do Sul, Índia e outras regiões, e passará ao largo de áreas consideradas críticas, como o Mar do Sul da China.A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, anunciou nesta terça-feira (18/02) o plano de instalar um cabo submarino que ligará cinco continentes para transportar dados, inclusive para o desenvolvimento de inteligência artificial.
O cabo terá mais de 50 mil km de extensão, conectando Estados Unidos, África do Sul, Índia, Brasil e “outras regiões”, descreveu a empresa. Chamado “Waterworth”, será o terceiro e maior projeto do tipo executado pela gigante da tecnologia, que será proprietária única do duto.
De acordo com o centro, estruturas desse tipo são responsáveis por 99% das comunicações digitais transoceânicas e por 10 trilhões de dólares em transações financeiras diárias.
Nos últimos anos, big techs ávidas por dados, como a Meta, entraram nesse terreno dos cabos submarinos, que antes era domínio de provedores de telecomunicações.
“Em algum momento, quando seu crescimento é tão grande e seu volume de demanda supera o de outras pessoas, você é incentivado a investir por conta própria, eliminando o intermediário”, disse à AFP Alan Mauldin, diretor de pesquisa da empresa especializada em dados Telegeography. A Google é outra empresa que tem investido forte na área, com 16 projetos de cabos submarinos.
Motivos para investir em cabos próprios
Todos os anos, ocorrem cerca de 200 incidentes de danos a cabos que, de outra forma, poderiam colocar em risco grandes áreas de atividade econômica.
Esses danos podem ser causados por causas naturais, como deslizamentos de terra submarinos e tsunamis, ou por causas humanas, como arrastar âncoras de navios ou equipamentos de pesca.
Os cabos também podem ser alvos de sabotagem e espionagem deliberadas.
Em janeiro, a Otan lançou patrulhas no mar Báltico após suspeitas de ataques a cabos de telecomunicações e energia. Autoridades europeias alertaram sobre o aumento das ameaças híbridas vindas da Rússia.
Cabos submarinos são vulneráveis ​​a cortes e grampos, o que exige equipamentos sofisticados, que poucos países têm. A Rússia demonstrou tanto capacidades quanto a intenção de atingir infraestruturas de telecomunicações submarinas críticas para os países da Otan, afirma o CSIS.
A rota “Waterworth” da Meta evita pontos críticos geopolíticos como o Mar do Sul da China, alvo de disputas entre Pequim e seus vizinhos, e o Mar Vermelho, destacou Mauldin.
O proprietário do Facebook também disse que o projeto do cabo forneceria “a conectividade abundante e de alta velocidade” necessária para impulsionar inovação em inteligência artificial.
O “treinamento” de novos modelos de IA pode exigir o transporte rápido de grandes quantidades de dados para os locais de clusters de computação em todo o mundo, observa o especialista.
sf/av (AFP, ots)

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