Milho, aves e açúcar: entenda impactos da guerra no Oriente Médio

Levantamento publicado nesta quarta-feira (25) pela DATAGRO, analisou a vulnerabilidade das exportações nacionais

Milho é um dos produtos mais sensíveis ao cenário atual • Canva/Banco de imagem

 

 

Em um cenário de crescente instabilidade geopolítica, o agronegócio brasileiro monitora com atenção os desdobramentos do conflito no Oriente MédioUm levantamento detalhado da DATAGRO, publicado nesta quarta-feira (25), analisou a vulnerabilidade das exportações nacionais diante desses embates e apontou que, apesar dos riscos, a diversidade de destinos do Brasil atua como um importante escudo econômico.
Os ataques coordenados entre Estados Unidos, Israel e Irã provocaram obloqueio do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais vitais para o comércio global.

Maior risco: açúcar, milho e aves

O estudo identifica que a vulnerabilidade brasileira está concentrada em três frentes principais:
  • Açúcar: o Brasil detém uma posição dominante, respondendo por 51,5% das exportações globais da commodityO Oriente Médio é um destino estratégico, absorvendo 17,1% das vendas externas brasileiras de açúcarem 2025 (cerca de 5,77 milhões de toneladas)Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque são os principais polos dessa demanda.
  • Aves: o setor avícola também apresenta dependência relevante de remessas para zonas de conflitoNo entanto, o Brasil expandiu seu market-share global para 35% em 2025, ganhando espaço frente a dificuldades sanitárias de concorrentes como EUA e União Europeia.
  • Milho: o produto figura entre os mais sensíveis ao cenário atual, devido à relevância das rotas de exportação e logística de insumos.

Café, carne bovina e ovos

café, outro produto de destaque na pauta exportadora citada pela análise, também entra no radar de monitorização devido às rotas de comércio afetadasAlém da entrega direta do produto, a maior preocupação reside no risco indireto: o fechamento do Estreito de Ormuz e a instabilidade no Mar Negro elevam drasticamente os custos de fretes e seguros marítimosComo o Oriente Médio é um entreposto comercial e fornecedor global de combustíveis, o conflito encarece a logística de exportação brasileira de forma ampla.
Ao contrário da carne suína, que reduziu a sua dependência do mercado russo, a carne bovina brasileiramantém uma exposição relevante a zonas de guerraEm 2025, cerca de 10% dos embarques de cortes bovinos foram destinados a estas regiões, com 68% desse volume concentrado no Oriente MédioA Rússia também se destaca como um destino que apresentou crescimento nos últimos anos.
Já no mercado de ovos, embora as exportações tenham quadruplicado em volume desde 2020, a dependência de regiões em conflito foi reduzida, mas ainda destina cerca de 6% dos embarques ao Oriente Médio.

Estratégias de mitigação e escoamento

Apesar dos números expressivos, a DATAGRO ressaltou que o setor possui flexibilidade para redirecionar sua produção com o bloqueio das rotas tradicionais:
  1. Destinos alternativos: a diversidade de parceiros comerciais permite que carnes e açúcar busquem outros mercados em caso de interrupção em zonas de guerra.
  2. Conversão interna: no caso do milho, o aumento da demanda doméstica para a produção de etanol surge como uma alternativa viável para absorver o excedente que deixaria de ser exportado.
  3. Resiliência do etanol: o próprio mercado de etanol é visto como pouco vulnerável, já que apenas 4,4% da produção brasileira é exportada, com foco principal em destinos fora das áreas de conflito, como Coreia do Sul e EUA.
Logística e custos indiretos
Para além da interrupção física das exportações, a consultoria alerta para o risco indireto: a escalada de preços de combustíveis e o encarecimento de fretes e seguros marítimosComo o Oriente Médio é o principal fornecedor global de combustíveis e um entreposto comercial fundamental, qualquer agravamento na região encarece a logística para o mundo todo, mesmo para produtos destinados a regiões em paz.
“Embora o Brasil se coloque entre os maiores produtores globais, sua vulnerabilidade pode ser considerada relativamente baixa graças à diversidade de seus destinos”, concluiu o relatório da DATAGRO.

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