Segundo a pasta, foram mais de de 500 mil aplicações do imunizante; 42 pessoas tiveram reações severas e duas mortes foram registradas

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comentou sobre a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan durante sua visita à Minas Gerais nesta quinta-feira (11). Durante agenda em Mariana, na região central do estado, o ministro aproveitou o espaço para afirmar que as pessoas que já receberam o imunizante não devem se alarmar. Padilha destacou ainda que a interrupção da aplicação foi adotada por precaução e reforçou que os vacinados continuam protegidos contra os quatro sorotipos da doença.
“Quero, primeiro, tranquilizar aquelas pessoas que tomaram essa vacina”, declarou Padilha ao ser questionado sobre o andamento das investigações envolvendo os 42 casos de reações adversas graves e dois óbitos que estão sendo analisados pelas autoridades sanitárias.
Segundo o ministro, mais de meio milhão de pessoas receberam a vacina, incluindo profissionais da atenção primária à saúde e moradores de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, município que participava da estratégia de vacinação ampliada do imunizante. Padilha ressaltou que a decisão de suspender temporariamente a vacinação ocorreu após a identificação de reações consideradas inesperadas, ou seja, eventos que não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.
“Nesse mais de meio milhão, nós tivemos 42 pessoas que tiveram reações severas, reações inesperadas, ou seja, que elas não haviam sido percebidas nos 18 estudos que foram feitos até a vacina ser aprovada. Então, determinamos a descontinuidade e a investigação”, explicou.
De acordo com o ministro, uma comissão formada por especialistas do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do próprio Instituto Butantan foi criada para analisar detalhadamente cada caso registrado. A investigação inclui a revisão de prontuários médicos, a avaliação de possíveis doenças preexistentes e a realização de novos exames em amostras biológicas disponíveis. Os dois óbitos notificados após a vacinação também fazem parte da apuração.
O ministro reiterou que a medida adotada pelo Governo federal tem caráter preventivo e segue protocolos de segurança utilizados em programas de imunização.
“A descontinuidade é uma descontinuidade temporária, preventiva, por precaução, como tem que ser a responsabilidade do Ministério da Saúde, que aposta sempre na ciência”, disse.
Durante a entrevista, Padilha também lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) continua aplicando normalmente a vacina Qdenga, produzida por uma farmacêutica internacional e destinada principalmente ao público adolescente. Segundo ele, cerca de 8 milhões de doses dessa vacina já foram administradas no país. O ministro ainda destacou a importância da vacinação como ferramenta de combate à doença. Apesar da redução de 92% nos casos e de 97% nas mortes por dengue registrada neste ano, a enfermidade já provocou 178 óbitos no Brasil em 2026, segundo dados apresentados por ele.
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