O que é onda de calor e quanto tempo dura?

As mudanças climáticas vem intensificando os períodos de altas temperaturas e trazendo consequências principalmente para a saúde humana

IG/Por: Clara Beatriz Saraiva Ferreira

Elevação das temperaturas vem sendo impulsionada pelas mudanças climáticas/Reprodução / Agência Brasl

 

As ondas de calor vêm se tornando mais frequentes e intensas, impulsionadas pelas mudanças climáticas que agravam as condições do clima em diversas regiões do planeta. Esses eventos são caracterizados por temperaturas muito elevadas, acima dos padrões esperados para a região e o período do ano, podendo se prolongar por vários dias ou até mesmo meses.
A Organização Mundial Meteorológica ( OMM) define as ondas de calor como períodos em que as temperaturas máximas ficam, no mínimo, 5°C a 7°C acima da média por, pelo menos, cinco dias consecutivos.
O órgão também afirma que a intensidade das ondas de calor varia. Em níveis mais baixos, grande parte da população consegue suportar os efeitos do calor, mas conforme ele se torna mais intenso, grupos vulneráveis e pessoas com doenças pré-existentes precisam ser alertados para adotar medidas de proteção.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação ( MCTI), um estudo sobre as mudanças climáticas no Brasil revelou que o número de dias com ondas de calor aumentou oito vezes nos últimos 60 anos. Entre 1961 e 1990, se registravam em média 7 dias de ondas de calor, enquanto no período de 2011 a 2020, esse número subiu para 52 dias.
Outro estudo, publicado em fevereiro de 2025, confirma essa tendência ao apontar que tanto o número quanto a intensidade das ondas de calor têm aumentado de forma gradual, especialmente na região central da América do Sul.
Em 2023, o Brasil enfrentou nove ondas de calor, e em 2024, oito. E em um período de apenas dois meses em 2025, o Instituto Nacional de Meteorologia ( Inmetregistrou três episódios.

Consequências para a saúde

Altas temperaturas podem provocar consequências para a saúde
Divulgação/ Climatempo

Altas temperaturas podem provocar consequências para a saúde
Os períodos prolongados de altas temperaturas podem agravar doenças pré-existentes, como problemas cardiovasculares e respiratórios, câncer, enfermidades de pele e tecidos subcutâneos, distúrbios do sistema nervoso e geniturinário. O calor intenso também pode afetar doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, além de  aumentar o risco de nascimentos prematuros.
As condições de saúde mental, como ansiedade e depressão, também são afetadas pelas ondas de calor. Além disso, aumenta o risco de exaustão térmica, insolação, desidratação e queimaduras.
Há também uma forte correlação entre calor extremo e internações devido a acidentes, associados à irritabilidade e ao aumento da violência, com maior incidência de acidentes de trânsito.

Grupos mais vulneráveis

Estudo aponta os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Estudo aponta os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor
Em um estudo denominado “Desigualdades demográficas e sociais do século XXI nas mortes relacionadas ao calor em áreas urbanas brasileiras”, pesquisadores analisaram mais de 7 milhões de óbitos associadas às ondas de calor entre 2000 e 2018, nas 14 principais regiões metropolitanas do Brasil, o que compreende 35% da população do país.
A pesquisa permitiu identificar tanto as principais causas de mortalidade relacionadas às altas temperaturas quanto os grupos mais vulneráveis aos efeitos desses eventos extremos. Os resultados indicaram maior impacto entre mulheres, idosos, pessoas pretas e pardas e indivíduos com menos de quatro anos de escolaridade.
Entre os fatores de desigualdade estão presentes fatores estruturais e sociais, como menor acesso a ar-condicionado, infraestrutura urbana precária, pouca arborização em áreas marginalizadas, baixa ventilação e alta densidade populacional.
Os trabalhadores que ficam expostos ao ar livre, como profissionais de serviços de limpeza urbana, ou que gastam horas no transporte público, pouco adaptado ao calor, também integram o grupo de pessoas mais vulneráveis.

As altas temperaturas também afetam as atividades agropecuárias

Setor agropecuário também é afetado pelas ondas de calor
Reprodução / Wikimedia Commons

Setor agropecuário também é afetado pelas ondas de calor
Além dos impactos na saúde humana, as altas temperaturas também afetam as atividades agropecuárias.
Segundo o Inmet, a persistência do calor extremo por vários dias consecutivos pode gerar impactos significativos, especialmente em áreas com baixa umidade no solo. O calor intenso intensifica o estresse térmico e hídrico, prejudicando tanto as culturas quanto os rebanhos.
Em lavouras de soja em fase vegetativa, a deficiência de água aliada ao estresse térmico pode acelerar o envelhecimento das folhas inferiores. Em áreas de cultivo de milho, soja, feijão e arroz irrigado, que se encontram nas fases de florescimento e enchimento de grãos, há o risco de falhas na formação dos grãos, o que pode resultar em redução da produtividade.
Infográfico: ondas de calor
Gerado por IA

Infográfico: ondas de calor
Além disso, a perda de umidade do solo também compromete a qualidade das pastagens e dificulta o rebrote. Dessa forma, o recomendado é evitar o sobrepastejo para reduzir a perda de peso dos animais.
Na pecuária, o calor intenso afeta o bem-estar dos bovinos, diminui o consumo alimentar e compromete o ganho de peso, tornando necessário medidas de manejo, como oferta constante de sombra e água.

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