ISTOÉ Dinheiro/Rodrigo Favoretto

Desde a pandemia, o mercado automotivo no Brasil vem enfrentando uma série de paralisações, quedas nas vendas e interrupções nas linhas de produções. Recentemente, até os veículos usados, que sofreram grande valorização, viram seus preços caírem nos últimos meses.
Com isso, um sinal de alerta está acesso no setor automobilístico. Com a alta nos juros e o endividamento da população, o crédito para comprar um veículo, novo ou usado, está cada vez mais difícil. E o que o futuro aguarda para o setor?
Taxa de juros é vilão do momento
A semana começou com três grandes empresas suspendendo a produção e dando férias coletivas aos seus funcionários: General Motors, Hyundai e Stellantis (proprietária das marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën). Apesar da falta de peças ainda rondar o setor, o principal motivo para as paralisações é a desaquecimento no mercado, o que faz que a indústria evite ficar com grandes estoques e deixe de produzir.
Para Alessandro Azzoni, advogado, economista e Conselheiro Deliberativo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a taxa de juros elevada se tornou o principal entrave para as vendas voltarem a deslanchar.
“A taxa de juros atinge diretamente a venda final, já que a maioria das pessoas não compram o carro à vista, compra o carro financiado, usando uma entrada e o saldo restante é financiado. Então os juros nesse patamar é um freio para compra de veículos. De acordo com o boletim Focus da última segunda-feira (20), estamos com um previsão de inflação de 5,96%, então acredito que uma Selic a 8 ou 9% seria mais condizente que os 13,75% atuais.”, disse.
Marcelo Gabriel, professor do Programa de Pós-graduação em Administração da ESPM, também vê na taxa de juros o “vilão da vez” para a indústria automobilística, que busca mercados alternativos para sua produção.
“Neste momento o impacto da taxa de juros real se reflete em todas as decisões de compra do consumidor e essa situação impacta todos os setores da economia, inclusive o automotivo. Nestes cenários as escolhas são priorizadas e a decisão pela compra do veículo novo é postergada. Por outro lado, temos uma capacidade instalada para produzir de 3,5 a 4 milhões de veículos por ano e os resultados da Anfavea mostram que foram vendidas 2,1 milhões de unidades em 2022”, explica.
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