A dermatologista Dra. Tathiana Antony nos fala a respeito:
DG: Assessoria/Por: Déborah Maria Barros Baptista Gonçalves

Apesar de a pele negra possuir o mesmo número de melanócitos do que a pele branca, ela possui uma quantidade de melanina bem maior, o que acaba lhe conferindo certo fator de proteção solar a mais. Essa característica, resultado da maior capacidade de produção e distribuição desse pigmento, oferece naturalmente uma barreira adicional contra os danos causados pela radiação ultravioleta, embora não substitua cuidados adequados.
Mas não pense que ela não precisa de filtro solar não! A pele negra pode ser bem sensível e tem maior perda de água do que a pele branca, além de descamar mais também. Por isso, mesmo com tal proteção biológica, ainda requer rotinas de hidratação e fotoproteção constantes para manter o equilíbrio da barreira cutânea.
Se por um lado é uma pele sensível, por outro é uma pele mais firme e elástica, com fibroblastos maiores e colágeno de excelente qualidade, conferindo menos rugas e menos flacidez. Essa combinação torna o envelhecimento visível mais tardio, caracterizando-se por linhas finas menos acentuadas, embora outras condições dermatológicas possam surgir com maior frequência.
Outro dado que chama a atenção é a diferença da pele do rosto para a do corpo. Nos negros é comum verificar ressecamento no corpo e oleosidade na face. Justificando o uso de hidratantes corporais diferentes dos faciais que devem ser específicos para peles oleosas. Essa dualidade exige cuidados personalizados, garantindo que cada área receba ativos adequados para manter equilíbrio, conforto e saúde cutânea.
Com a maior quantidade de melanina, vem também uma chance maior de pigmentar a pele. Manchas e melasmas são muito comuns e temidos pelas pessoas com esse fototipo.
A hiperpigmentação pós-inflamatória, que é o surgimento de manchas em locais que sofreram algum tipo de trauma ou lesão, como acne, picada de inseto, etc, também é muito comum. Esse processo ocorre porque a pele reage de forma intensa a qualquer agressão, desencadeando uma produção aumentada de melanina na região afetada.
Para todas essas alterações são necessárias medidas de proteção solar a cada três horas e uso de antioxidantes como a vitamina C e despigmentantes que são associados e podem ser manipulados ou da indústria. Sempre prescritos pelo médico. Somente assim é possível manter o controle das manchas e evitar agravamentos, garantindo um tratamento seguro e progressivo.
Pseudofoliculite é outro incômodo comum em peles negras. Devido o formato do folículo, o pêlo com sua haste torcida, pode não sair corretamente do folículo, causando uma inflamação.
O tratamento ideal é depilação a laser, porem com todos os cuidados, pois é uma pele mais susceptível às queimaduras. Por isso, é fundamental utilizar equipamentos adequados para fototipos altos, conduzidos por profissionais experientes, minimizando riscos e otimizando resultados.
Outras alterações comuns em peles negras são quelóides, dermatose papulosa nigra, foliculite dissecante do couro cabeludo e alopecia de tração, essa última muito comum devido aos penteados afros e às trancinhas, que são colocadas muitas vezes desde a infância em meninas negras. Essas condições refletem tanto características estruturais da pele e do folículo quanto aspectos culturais e comportamentais, mostrando a importância de cuidados preventivos, orientação adequada e acompanhamento dermatológico contínuo.
Tathiana Antony
CRM 52770590
Responsável pela Clinica Renewmed
dermatologia.
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