Presidente da Câmara exigiu saída “imediata” de José Mauro Coelho e fala em “legado de destruição”
EXAME/Por: Guilherme Guilherme

As ações da Petrobras (PETR4) desabam mais de 6% nesta sexta-feira, 17. Parte do movimento reflete o ajuste de preço à queda superior a 5% registrada pelos papéis da companhia negociados em Nova York (ADRs) na quinta-feira, 16.
Bolsas do mundo inteiro registraram duras perdas na véspera, enquanto o mercado brasileiro esteve fechado devido ao feriado de Corpus Christi. O EWZ, ETF que representa a bolsa brasileira nos Estados Unidos, caiu mais de 4% — próximo à queda do índice Nasdaq.
Mas a sangria das ADRs ainda não foi estacada, com os papéis voltando a cair mais de 3% em Nova York, apesar da recuperação de índices internacionais nesta sexta.
Além da maior aversão global ao risco, no radar dos investidores estão pressões para que o atual CEO da Petrobras, José Mauro Coelho, deixe o cargo. As repercussões ocorrem desde a última noite, quando o blog de Andréia Sadi, no G1, revelou que o presidente da Câmara, Arthur Lira, exigiu que o CEO renunciasse ao cargo “imediatamente”. O pedido teria o aval do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com o blog.
Nesta manhã, Arthur Lira resolveu ir a público pressionar pela renúncia do atual presidente da Petrobras. Pelo Twitter, o presidente da Câmara disse Mauro Coelho deixará um “legado de destruição para a empresa, para o país e para o povo“. As ações, que caíam cerca de 4% antes da publicação, estenderam as perdas para mais de 6%.
A afirmação do presidente da Câmara é contestada pelos agentes do mercado, principalmente no que diz à contribuição da Mauro Coelho à empresa e aos acionistas.
“Entendemos que o reajuste diminui a defasagem frente aos preços internacionais, o que é positivo para as finanças da companhia. Mas entendemos que a medida foi desenvolvida por lideranças que estão de saída da companhia, o que impede a dissolução das assimetrias referentes ao tema para os próximos meses”, afirmaram analistas da Ativa em nota.
Como pano de fundo da maior pressão sobre José Mauro Coelho está o reajuste de preço de combustíveis anunciado nesta manhã pela companhia. A Petrobras aumentou preço do litro de gasolina de R$ 3,86 para R$ 4,06 para distribuidoras e do do diesel de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro.
A saída de Mauro Coelho é esperada desde o fim de maio, quando o governo indicou Caio Paes de Andrade, então secretário de desburocratização do Ministério da Economia, para assumir o comando da Petrobras.
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