Novo indicador da FGV, Índice de Preços dos Gastos Familiares (IPGF) tem atualização mensal dos pesos. Inflação ficou em 4%, abaixo do IPCA
Metrópoles/Carolina Riveira

O Índice de Preços dos Gastos Familiares (IPGF), novo índice de inflação criado pelo Ibre/FGV, teve alta de 0,52% em março, segundo divulgado nesta terça-feira (6/6). Em 12 meses, o índice acumula alta de 4%.
Com uma metodologia diferente, o IPGF tem ficado abaixo da inflação oficial. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, teve alta de 4,65% em 12 meses.
O IPGF tem uma cesta móvel, atualizada com mais frequência para acompanhar as mudanças no consumo das famílias, o que o diferencia de outras medições. Em outros índices, a atualização da cesta ocorre a cada par de anos.
“É uma outra óptica para medir a evolução do custo de vida”, diz Matheus Peçanha, pesquisador do Ibre/FGV, em apresentação do novo indicador. Exemplos parecidos já são usados nos Estados Unidos, afirma ele, como complemento ao índice oficial.
Os índices tradicionais, como o IPCA ou o IPC (também medido pelo Ibre/FGV), têm uma cesta fixa que baliza o peso de cada item no consumo e, com base nisso, o cálculo da inflação. O diferencial do IPGF é ter esses pesos atualizados mensalmente.
“Esse índice nos passa as variações do consumidor de maneira mais rápida”, diz André Braz, coordenador da pesquisa.
“É uma resposta às oscilações de demanda. Por isso, aumenta as chances de a inflação estar mais próxima da realidade”, afirma o economista, que avalia que, no cenário atual, a inflação oficial pode estar superestimada em relação à realidade das famílias, devido à cesta utilizada. No IPCA, as últimas pesquisas para atualização da cesta de consumo são de 2018.
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Efeito substituição
O objetivo principal é mostrar substituições e decisões feitas pelo consumidor no dia-dia: se o tomate encarece, dizem os pesquisadores, a tendência é que os consumidores o substituam por outro item, o que teria de mudar seu peso na cesta, mas não acontece nos índices tradicionais.
“Os índices tradicionais não têm conseguido refletir o que as famílias estão consumindo exatamente em, por exemplo, março de 2023”, diz Peçanha. “A cada mês, buscamos ver o que está sendo dispendido pela família nos diferentes itens”, explica.
Para chegar a esse cálculo e adaptar a cesta, a equipe responsável pelo novo índice usa dados mensais do PIB.
“Isso ficou muito claro na pandemia: as famílias compraram muita comida, e rapidamente o peso dos alimentos avançou; já o peso de passagens aéreas praticamente zerou, porque ninguém estava podendo viajar”, diz Braz.
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