Queda de avião em Belo Horizonte: o que sabemos sobre o caso

Impacto resultou na morte do piloto e de uma pessoa que estava no assento de copiloto da aeronave, enquanto outros três ocupantes foram resgatados em estado grave e encaminhados ao Hospital João XXIII

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
Um avião de pequeno porte caiu em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (4). • Reprodução
Um avião de pequeno porte caiu e atingiu um edifício residencial no bairro Silveira, região Nordeste de Belo Horizonte, no início da tarde desta segunda-feira (4).
O impacto resultou na morte do piloto e de uma pessoa que estava no assento de copiloto da aeronave, enquanto outros três ocupantes foram resgatados em estado grave e encaminhados ao Hospital João XXIII.
A aeronave, um bimotor, colidiu contra a estrutura de um prédio de três andares localizado na Rua Ilacir Pereira Lima. O choque abriu um buraco na alvenaria da edificação antes de o veículo cair no estacionamento, situado em frente a um supermercado.

Quem eram as vítimas

As cinco pessoas que estavam a bordo do avião foram identificadas.
Segundo apuração da CNN Brasil, são eles: Wellington de Oliveira Pereira, de 34 anos, (piloto); Fernando Moreira Souto (estava no banco do copiloto), de 36 anos; Arthur Schaper Berganholi (sobrevivente), de 25 anos; Leonardo Berganholi Martins (sobrevivente), de 50 anos; e Hemerson Cleiton Almeida Souza (sobrevivente), de 53 anos.
A aeronave de matrícula PT-EYT, em que eles estavam, permaneceu no ar por cerca de cinco minutos após a decolagem. Ela era propriedade de Fernando, havia sido vendida há pouco tempo e estava em processo de transferência na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Destino da aeronave

O avião havia saído de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e fez uma parada no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. O destino final era o Aeroporto Campo de Marte, na zona Norte da capital paulista. A informação foi confirmada à CNN Brasil por fontes ligadas à gestão do aeroporto.
Em nota, a NAV Brasil, empresa responsável pelo controle de tráfego aéreo, afirmou que a decolagem da Pampulha aconteceu por volta das 12h16. Segundo o Corpo de Bombeiros, a corporação foi acionada para o acidente às 12h21.

Conheça o modelo

De acordo com os dados da aeronave de prefixo PT-EYT, o avião foi fabricado em 1979 e possui capacidade para até cinco passageiros, além do piloto. Ainda segundo o registro, a aeronave é classificada como de uso privado. O peso máximo de decolagem é de 1.633 kg.
O avião está configurado conforme as regras dos Requisitos gerais de operação para aeronaves civis, que regulamenta operações privadas no Brasil.

Sem autorização para táxi aéreo

A aeronave que caiu e atingiu um prédio no bairro Silveira não tinha autorização para operar como táxi aéreo. As informações foram consultadas pela CNN Brasil junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
O avião não possuía autorização para operação comercial sob o RBAC nº 135, que regula serviços de táxi aéreo, nem sob o RBAC nº 121, voltado a operações regulares de transporte aéreo
Ainda de acordo com os dados, o avião também não estava autorizado a realizar serviço aéreo especializado (SAE) ou voos de instrução sob o RBAC nº 141, que diz respeito à voos de instrução.

Buraco na parede

Segundo informações iniciais das autoridades, o impacto da aeronave abriu um buraco na estrutura da edificação antes de atingir o solo.
Ele acabou acertando o prédio, destruindo parte da estrutura, e os destroços caíram embaixo.
Morador do prédio
Claudete Martins, moradora do prédio atingido, afirmou que o motor da aeronave chegou a cair em frente à porta do apartamento dela. Claudete, que mora no edifício há quase 50 anos, afirmou que estava perto da janela do local, quando percebeu que o avião se aproximava.
“Eu me assustei. Então, eu falei ‘vou sair daqui’ […] ouvi um barulho, olhei de novo pela janela, e o avião tinha caído. Eu tentei correr para sair [do apartamento], porque eu achei que ia pegar fogo. A minha porta estava emperrada, o motor do avião estava na minha porta, da sala e da área de serviço“, destacou a moradora.

Investigação

FAB (Força Aérea Brasileira), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), investiga a queda do avião.
Em nota à CNN Brasil, o órgão informou que já enviou investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III), para auxiliar na ocorrência.
“Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação”, diz o comunicado
À CNN Brasil, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que apura as causas e circunstâncias da queda, e que a ocorrência segue em andamento.

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