12 anos atrás, o atacante uruguaio viveu um momento inesquecível. Hoje, viu do banco de reservas sua seleção ser eliminada
ESPN Brasil/Ricardo Zanei

Filho da lenda Abedi Pele, André Ayew viu do banco de reservas quando Luis Suárez evitou, com a mão e em cima da linha, nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação, o gol certo de Dominic Adiyiah. O que Ayew assistiu naquele 2 de julho de 2010 foi inacreditável: Asamoah Gyan isolou a cobrança, e El Pistolero, na saída para o túnel, celebrou como um gol. Lágrimas de alegria e esperança.
A decisão foi para as penalidades, John Mensah e Dominic Adiyiah perderam, Loco Abreu fez jus ao nome e deu uma cavadinha para eliminar Gana e colocar o Uruguai nas semifinais da Copa do Mundo da África do Sul.
Um jogo inesquecível. Do lado uruguaio, Loco Abreu e Suárez viraram heróis nacionais. “Desta vez a mão de Deus foi minha”, disse o atacante / goleiro, em alusão à Mano de Dios de Diego Maradona na Copa de 1986.
Do lado ganense, o camisa 9 celeste se tornou vilão, inimigo número 1 de uma nação. Era a chance de o país se tornar o primeiro do continente africano a alcançar a semifinal de uma Copa. “Você sabe como se xinga hoje em Gana? Isso é real: Uruguai. Nos odeiam“, afirmou recentemente Diego Lugano, capitão daquela seleção e comentarista da ESPN, ao canal de YouTube Camisa 21.
Doze anos se passaram. Gana x Uruguai. Suárez em campo de um lado. Ayew, dessa vez, titular, camisa 10 e capitão. Gana precisava da vitória para se classificar. O Uruguai também. Aos 17 minutos do primeiro tempo, Mohammed Kudus é lançado, toca a bola, e o goleiro celeste Sergio Rochet toca o atacante. Pênalti.
Doze anos de história. Doze anos em que o tempo parou para Gana, com sofrimento e tristeza, e para o Uruguai, com festa e alegria. É a hora do troco: Ayew pega a bola. Aquele que viu do banco a mão de Suárez. Aquele que hoje lidera uma geração das mais talentosas. O camisa 10 usa o pé esquerdo e, ao contrário de Asamoah Gyan, bate rasteiro. O chute sai fraco, no canto esquerdo. Rochet se redime e faz a defesa.
Giorgian de Arrascaeta faz um, faz dois, o Uruguai vai acabando com o sonho de Gana de se classificar. No outro jogo da chave, Portugal chegara a abrir 1 a 0, mas a Coreia do Sul empata no primeiro tempo e vira nos minutos finais. A Celeste empata com os sul-coreanos em tudo, e um gol colocaria a equipe nas oitavas de final.
O placar mostra o fim de Coreia do Sul 2 x 1 Portugal. As câmeras buscam Suárez, substituído, no banco. O Uruguai precisa de um gol. Um golzinho. Tentam por cima e nada. Desespero, bola na área. O contra-ataque se abre, e Gana quase desperdiça uma, duas chances.
O árbitro apita o fim do jogo. Foco em Suárez. Aos prantos. Ele coloca a camisa sobre a cabeça, mas é nítido que o choro é de soluçar. Tristeza em sua despedida das Copas, aos 35 anos. Fim de uma era, fim de um sonho uruguaio.
Corta para o outro jogo e a festa sul-coreana é emocionante. Jogadores em campo, torcedores, lágrimas para todos os lados, união absurda entre arquibancada e campo. Son Heung-min também está aos pratos. Ao contrário de Suárez, o choro é de alegria, de êxtase, de história sendo escrita.
Gana não comemora. O destino se repetiu, não da mesma forma dramática e dolorosa com La Mano de Dios Celeste em 2010. Doze anos depois, Suárez chora junto com os ganeses. Juntos, hoje, eles vão para casa.
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