A alimentação tem papel importante no controle dos sintomas do lipedema, já que um cardápio inadequado pode, por exemplo, desencadear processos inflamatórios e retenção de líquidos no corpo.
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O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura em pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, no braço, com distribuição simétrica nos dois lados do corpo. Dor e sensibilidade extrema nas áreas afetadas, edemas, facilidade para hematomas, resistência a dietas e, em casos mais avançados, redução da mobilidade são os principais sintomas.
Muitas vezes confundida com obesidade, a doença não tem origem totalmente compreendida. O que os médicos sabem, por enquanto, é que tem forte ligação com fatores genéticos. O tratamento pode ser feito com drenagem linfática, uso de meias de compressão e dietas anti-inflamatórias. Em casos mais graves, recomenda-se a chamada lipoaspiração tumescente.
Segundo informações reportadas pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, o lipedema atinge entre 10% e 18% das mulheres no mundo. No Brasil, são pelo menos 9 milhões de pacientes. Nos últimos anos, diversas famosas têm falado abertamente sobre o diagnóstico e o tratamento, como Yasmin Brunet, Rafa Brites e Bárbara Reis, que, recentemente, anunciou que vai passar por uma operação por conta do desconforto nas pernas.
Para falar deste assunto e tirar diversas dúvidas, o Purepeople convidou Amanda Figueiredo, nutricionista clínica formada pela USP e pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC. Confira a seguir!
Uma dieta anti-inflamatória no tratamento do lipedema tem como objetivo modular a inflamação crônica, melhorar a microcirculação e reduzir sintomas como dor, inchaço e sensibilidade ao toque. Para isso, priorizamos alimentos naturais, ricos em antioxidantes, gorduras boas e compostos bioativos.
Peixes ricos em ômega-3, como salmão e sardinha, ajudam a reduzir mediadores inflamatórios. Frutas vermelhas e vegetais verde-escuros fornecem polifenóis e flavonoides, que combatem o estresse oxidativo. O azeite de oliva extra-virgem e as oleaginosas contribuem com gorduras anti-inflamatórias, enquanto especiarias como cúrcuma e gengibre atuam diretamente na modulação da inflamação e na melhora da dor.
Para controlar o lipedema e reduzir dores e inchaço, deve-se evitar alimentos inflamatórios como açúcares refinados, farinha branca, gorduras trans/saturadas, embutidos, ultraprocessados, álcool e excesso de sal.
O tratamento do lipedema exige equilíbrio e constância. Com a melhora dos sintomas e a estabilização do quadro, a alimentação pode se tornar menos restritiva, mas, a atenção com a dieta precisa ser contínua. Isso porque o lipedema é uma condição crônica, e períodos prolongados de desorganização alimentar tendem a reativar inflamação, dor e inchaço. O foco não deve ser restrição permanente, e sim consistência em escolhas anti-inflamatórias na maior parte do tempo, permitindo flexibilidade pontual sem perder o controle do quadro.
Reduzir carboidratos processados pode trazer benefícios no lipedema, pois eles favorecem inflamação, retenção de líquidos e piora da dor. Açúcares, farinhas refinadas, doces e ultraprocessados tendem a intensificar os sintomas e devem ser controlados.
Já os carboidratos saudáveis, como batata, batata-doce, abóbora, mandioca, inhame, arroz integral e frutas, quando consumidos em quantidades adequadas e dentro de uma alimentação equilibrada, não são vilões. Pelo contrário, fornecem energia, fibras, vitaminas e ajudam na adesão ao tratamento a longo prazo.
Sim, o consumo excessivo de sal piora o inchaço e a sensação de peso nas pernas e braços de quem tem lipedema. O sódio em excesso provoca retenção de líquidos, agravando a inflamação crônica e a dor já associadas a essa condição.
A base do plano para quem tem lipedema deve incluir proteínas magras como ovos, aves e peixes, alimentos integrais e ricos em fibras, vegetais crucíferos como brócolis e couve, frutas vermelhas e gorduras boas, como azeite de oliva e abacate, além de temperos naturais como cúrcuma, gengibre e alho, que atuam no controle do processo inflamatório, da retenção de líquidos e da sensibilidade dolorosa, que são fatores centrais no manejo do lipedema.
Não existe uma “dieta única” ideal para todas as pessoas com lipedema, tornando o plano alimentar individualizado essencial. Embora dietas anti-inflamatórias sejam eficazes na redução de inflamação e dor, o plano deve respeitar a rotina, fase do tratamento e necessidades metabólicas de cada paciente.
O ômega-3 se destaca por reduzir a inflamação, melhorar a microcirculação e ajudar no controle da dor. O magnésio, especialmente nas formas glicinato ou treonato, contribui para o relaxamento muscular, redução da dor crônica e melhora do sono.
A vitamina D atua na modulação inflamatória e imunológica, e antioxidantes como curcumina, chá-verde e quercetina auxiliam no controle da inflamação e do estresse oxidativo.
Mas é importante reforçar que a suplementação deve ser sempre personalizada, baseada em avaliação clínica e exames, e nunca substitui uma alimentação equilibrada, constância no tratamento e acompanhamento profissional.
O foco do tratamento precisa sair da lógica de restrição e culpa e ir para educação alimentar, equilíbrio e constância. A alimentação deve ser apresentada como uma ferramenta de cuidado e manejo dos sintomas, e não como punição ou controle de peso.
Estratégias flexíveis, com espaço para escolhas, prazer e adaptação à rotina, reduzem a ansiedade e comportamento alimentar rígido. O acompanhamento multiprofissional, especialmente com nutricionista e apoio psicológico quando necessário, ajuda a ressignificar a comida, trabalhar a percepção corporal e evitar ciclos de restrição e compulsão.
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