Com eventos cancelados e respostas enigmáticas, Doria vem dando sinais nos últimos dias de que pode mudar os planos
Por: Gilson Garrett Jr

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), vem dando sinais nos últimos dias de que pode ficar no cargo e ainda não disputar a Presidência da República pelo partido. Segundo aliados, os movimentos indicam que ele deve disputar a reeleição, o que sempre defendeu ser contra. Apesar disso, em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Doria disse que “não fui e nem voltei”, e que tudo não passa de mera “especulação”.
Na segunda, 28, por exemplo, o tucano desmarcou, sem justificativa prévia, a reunião semanal que realizava com sua equipe eleitoral após o expediente. Um dos integrantes relatou surpresa pela proximidade da renúncia e posterior início das viagens da pré-campanha.
No mesmo dia, Doria não compareceu à abertura do 64º congresso realizado pela Associação Paulista de Municípios (APM), em Campos do Jordão, marcado para esta semana justamente para que Doria se despedisse dos prefeitos da região de forma mais próxima.
Na quarta-feira, 30, em coletiva de imprensa sobre a pandemia de covid-19, os jornalistas o questionaram, insistentemente, para saber se ele permaneceria no cargo ou não. Ele limitou-se a dizer apenas que “na tarde desta quinta-feira, 31, tudo seria esclarecido”. Para hoje está marcada uma coletiva, a partir das 16h.
Aliados também relatam que nos últimos dias foi difícil manter contato com o irmão do governador, Raul Doria, de quem é muito próximo. O tucano teria, portanto, tomado a decisão praticamente de forma isolada e, não por acaso, depois que Eduardo Leite renunciou ao cargo de governador do Rio Grande do Sul, colocando-se publicamente como opção dentro do PSDB. Isso apesar de ter perdido para Doria o processo de prévias.
O fato de Leite estar agora livre para ser alçado ao posto de pré-candidato a presidente ou a vice — possibilidade tratada como mais provável pelos próprios tucanos — aumentou não só a pressão sobre o desempenho de Doria nas pesquisas (o tucano tem apenas 1% de intenção de voto), mas como seu isolamento dentro do partido. Para piorar, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), seu principal desafeto interno, foi absolvido pela Justiça da acusação que respondia desde 2017 por supostamente ter recebido R$ 2 milhões em propina da JBS.
Procurado por EXAME, o secretário de Desenvolvimento Regional do estado de São Paulo, e presidente do PSDB paulista, Marco Vinholi, disse que não se pode admitir “manobras”. “No PSDB, houve um processo democrático que sagrou João Doria vencedor. Não dá para jogar as prévias nacionais na lata do lixo — seria uma afronta ao partido, à democracia e ao Brasil”, afirmou.
Com o grupo de Aécio fortalecido dentro do partido, e apoiando as pretensões de Leite, havia o temor de que o resultado das prévias não fosse homologado na convenção do PSDB, que deve ser realizada até agosto. Com a prorrogação do mandato do presidente nacional, Bruno Araújo, também os dirigentes regionais foram mantidos em seus respectivos cargos e Doria não tem maioria na executiva.
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