EUA aciona Brasil em investigação sobre incidente com helicóptero de Trump

Cenipa participará de apuração sobre aproximação entre Marine One e avião da Embraer nos EUA. Falha de comunicação com a torre é investigada

Metrópoles/

Chris Greenberg/George W. Bush Administration/Divulgação/Metrópoles

 

O Brasil foi acionado pelos Estados Unidos para participar da investigação sobre um incidente envolvendo o helicóptero que transportava o presidente Donald Trump e um avião comercial fabricado pela brasileira Embraer.

O episódio ocorreu em 4 de agosto, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, e está sendo apurado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB).

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou ao Metrópoles que foi notificada pelo NTSB no domingo (23/8) sobre o evento envolvendo a aproximação entre as aeronaves.

Segundo a FAB, o Cenipa designou um investigador para participar da apuração na condição de Representante Acreditado do Brasil. A corporação afirmou que a atuação brasileira segue os protocolos internacionais e representa o compromisso do país com a cooperação internacional e a promoção da segurança da aviação.

Ainda de acordo com a FAB, conforme estabelecido no Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, conhecida como Convenção de Chicago, cabe ao país onde ocorreu o evento conduzir a investigação aeronáutica.

Estados Unidos e Brasil são signatários da convenção.

A participação brasileira ocorre porque o avião envolvido na ocorrência é um Embraer E-170. O procedimento segue as regras da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), segundo as quais o país responsável pelo projeto da aeronave deve ser notificado e pode participar da investigação.

O incidente envolveu o Marine One, um helicóptero Sikorsky VH-3D operado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, e o voo 3742 da Envoy Air, um Embraer E-170 que havia acabado de decolar de Washington com destino a Pensacola, na Flórida.

Segundo o relatório preliminar do NTSB, as duas aeronaves tiveram uma perda de separação a cerca de 2 milhas ao norte do aeroporto.

A estimativa preliminar da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) aponta que elas chegaram a, aproximadamente, 0,82 milha náutica de distância lateral e 700 pés de distância vertical.

O helicóptero concluiu seu voo local sem incidentes, enquanto o avião comercial seguiu normalmente até a Flórida. A Casa Branca também afirmou que Trump não esteve em perigo.

Falha na comunicação

O relatório preliminar indica que uma falha na comunicação entre a equipe responsável pelo voo presidencial e a torre de controle contribuiu para que as duas aeronaves decolassem praticamente ao mesmo tempo.

Pelo protocolo estabelecido para operações com o presidente a bordo, a equipe do Marine One deveria avisar a torre do Aeroporto Reagan três minutos antes da decolagem.

A partir desse aviso, pousos e decolagens na região deveriam ser temporariamente interrompidos para permitir a passagem segura do helicóptero presidencial.

No dia do incidente, porém, a torre não recebeu a comunicação obrigatória.

De acordo com o NTSB, os responsáveis pelo Marine One tentaram entrar em contato com a torre pelo menos duas vezes. Na primeira tentativa, a transmissão não foi recebida. Na segunda, o sinal chegou fragmentado e completamente inaudível para o controlador.

Sem receber o aviso, o controlador responsável pelas operações de pista autorizou a decolagem do voo 3742 da Envoy Air. O avião começou a subir enquanto o helicóptero presidencial também deixava o solo.

As duas aeronaves conseguiram estabelecer comunicação já durante o voo. A tripulação do avião informou que mantinha contato visual com o helicóptero, enquanto a equipe do Marine One também identificou o tráfego.

A tripulação do voo 3742 relatou ter recebido um alerta do Sistema de Alerta de Colisão e Prevenção de Colisões em Voo (TCAS) durante a subida.

O sistema emitiu um Traffic Advisory (TA), com o aviso sonoro “Traffic, Traffic”. Apesar do alerta, os tripulantes não conseguiram identificar visualmente o alvo indicado pelo equipamento.

Os pilotos relataram que o sistema indicava cerca de 600 pés de separação vertical quando o alvo passou atrás da asa direita representada na tela.

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