Presidente de Cuba diz estar “pronto” para possível invasão dos EUA

Miguel Díaz-Cane afirma que o país está pronto para enfrentar uma possível agressão “custe o que custar”

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Horacio Villalobos/Getty Images – Kevin Dietsch/Getty Images/Divulgação/Metrópoles

 

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou nesta quinta-feira (16/4) que o país está preparado para responder a uma possível ação militar dos Estados Unidos. A fala ocorreu durante as lembranças dos 65 anos da Invasão da Baía dos Porcos, episódio marcante da história cubana, e que reforçou a defesa do modelo socialista adotado na ilha.
“O momento é extremamente desafiador e nos convoca a estarmos preparados para enfrentar sérias ameaças, entre elas a agressão militar”, declarou o chefe de Estado.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões com os EUA. Recentemente, Donald Trump chegou a afirmar que poderia ter a “honra” de assumir o controle de Cuba, intensificando o clima de confronto entre os dois países.
A invasão relembrada ocorreu em abril de 1961, quando cerca de 1,4 mil opositores do governo de Fidel Castro, treinados e apoiados pela CIA, desembarcaram no território cubano com o objetivo de derrubar o regime. A tentativa fracassou em poucos dias e acabou fortalecendo o governo socialista.
O conflito entre Havana e Washington tem raízes antigas, principalmente após reformas implementadas por Cuba, como a redistribuição de terras e a nacionalização de empresas estrangeiras, muitas delas norte-americanas.
“Foi construída uma narrativa mentirosa e muito cínica: a de Cuba como Estado falido (…) Cuba não é um Estado falido, é um Estado cercado”, disse o presidente cubano. “Continuamos sendo uma revolução socialista bem debaixo do nariz do império”, acrescentou.
Atualmente, o cenário voltou a se agravar. Os Estados Unidos vêm aumentando a pressão econômica sobre a ilha, incluindo restrições ao fornecimento de combustíveis, o que tem impactado diretamente a situação interna do país .
Apesar do clima tenso, autoridades cubanas afirmam que existem conversas em andamento entre representantes dos dois governos, buscando alternativas para reduzir as divergências por meio do diálogo .

Ameaça de Donald Trump a Cuba

Cuba é um dos principais focos da política externa de Donald Trump desde o o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Naquele período, ele interrompeu a aproximação promovida por Barack Obama e adotou medidas mais rígidas, ampliando sanções contra o país.
Após retornar à presidência em 2025, Trump retomou essa linha dura. Uma das decisões foi recolocar Cuba na lista de países considerados patrocinadores do terrorismo, revertendo uma medida anterior. Além disso, o governo norte-americano passou a intensificar ações de pressão econômica e política sobre a ilha.
No início de 2026, veículos da imprensa dos Estados Unidos divulgaram que a administração Trump trabalha com o objetivo de provocar mudanças no regime cubano até o fim do ano. Desde então, Washington tem ampliado restrições e medidas contra o país.
Cuba ganhou ainda mais destaque nesse cenário após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela, que era um dos principais aliados do governo cubano. Com isso, a situação econômica da ilha se agravou, especialmente por causa da dependência de petróleo estrangeiro.
“Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais”, afirma a ordem assinada por Trump.

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