Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou convite ao ex-assessor de Alexandre de Moraes para falar sobre conversas com assessores
Metrópoles/Letícia Pille

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou nesta terça-feira (26/8) um requerimento para convidar Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para falar sobre conversas com assessores.
O requerimento foi apresentado pelo senador Magno Malta (PL-ES) na esteira da divulgação de relatórios chamados de “Arquivos do 8 de Janeiro”, do jornalista norte-americano Michael Shellenberger. Segundo Malta, tais documentos revelam “graves indícios” de supostas atividades irregulares no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Tagliaferro atuou como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE. Na semana passada, ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo vazamento de diálogos que manteve com assessores dos tribunais.
Atualmente morando na Itália, Tagliaferro também é alvo de um pedido de extradição do ministro Alexandre de Moraes. Na segunda-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores enviou o pedido ao país europeu.
A justificativa apresentada por Malta para ouvir Tagliaferro é de que a AEED foi criada para monitorar a propaganda eleitoral, mas sua função teria sido “desviada” para fazer investigações criminais.
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Além de Tagliaferro, foram convidados outros dois juízes do gabinete de Moraes no Supremo. São eles Marco Antônio Martins Vargas, juiz auxiliar, e Airton Vieira, juiz instrutor. Segundo o presidente da Comissão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a audiência deve ser marcada para a próxima terça-feira (2/9), às 11h.
O senador Magno Malta afirma que o juiz Marco Antônio Martins Vargas teria dado “aparência de legalidade” a documentos e ordens supostamente produzidos pelo gabinete de Moraes.
“Tendo em vista a centralidade das figuras de Eduardo Tagliaferro, Marco Antônio Martins Vargas e Airton Vieira em todos esses episódios — e considerando o seu envolvimento direto, conforme relatado —, é imprescindível que esta Comissão os ouça, em respeito à transparência, à verdade dos fatos e à segurança jurídica de todos os cidadãos brasileiros”, afirma o senador no requerimento.
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