Guerra no Oriente Médio: mais de 40 países pedem ao Irã a ‘reabertura imediata’ de Ormuz

Crise teve origem em 28 de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã
Por: /Com informações de AFP
No âmbito humanitário, representantes de Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos defenderam a criação urgente de um corredor para o transporte de fertilizantes • Foto por LEON NEAL / POOL / AFP

 

 

Em uma demonstração de unidade diplomática sob crescente tensão global, cerca de 40 nações exigiram a reabertura imediata e incondicional do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (2). O apelo ocorreu ao final de uma cúpula virtual organizada pelo Reino Unido, onde a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, acusou o Irã de tentar tomar a economia mundial como “refém” ao bloquear a estratégica via marítima. De acordo com Cooper, os países parceiros não permitirão que tal estratégia prevaleça e já concordaram em explorar medidas políticas e econômicas severas, incluindo a imposição de novas sanções contra Teerã.
O encontro foi impulsionado pela pressão direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem instado as nações dependentes do transporte marítimo na região a se mobilizarem pelo desbloqueio. Na última quarta-feira, Trump afirmou que a responsabilidade de cuidar da passagem cabe aos países que recebem petróleo através dela, ressaltando que um cessar-fogo só será considerado quando o estreito estiver totalmente livre e desimpedido para a navegação.
A crise teve origem em 28 de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana fechou o estreito aos seus inimigos, paralisando uma rota por onde transita um quinto das exportações mundiais de petróleo. Esse bloqueio, classificado por Cooper como uma “imprudência” que ameaça a segurança econômica global, gerou uma disparada nos preços dos hidrocarbonetos com reflexos em todo o planeta. Enquanto Reino Unido e aliados condenam as ações iranianas, a China sustenta que a causa principal do bloqueio são os ataques “ilegais” realizados pelos americanos e israelenses.
No âmbito humanitário, representantes de Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos defenderam a criação urgente de um corredor para o transporte de fertilizantes e suprimentos essenciais, visando evitar uma nova crise alimentar, especialmente no continente africano. Paralelamente, o esforço militar ganha corpo: Londres presidirá na próxima semana uma reunião com planejadores militares de 37 países signatários de um manifesto de segurança — grupo que inclui Japão, Chile e Panamá, mas exclui potências como China e os próprios Estados Unidos, além da Espanha.
Apesar da mobilização, o caminho para uma solução militar ou diplomática permanece obstruído por divergências estratégicas. A França, por exemplo, condiciona a segurança da via ao fim da fase intensa de bombardeios, enquanto o governo Trump mantém críticas frequentes à falta de apoio de aliados da Otan. No Conselho de Segurança da ONU, um apelo do Conselho de Cooperação do Golfo para o uso da força enfrenta forte resistência. Um projeto de resolução sobre o tema divide o órgão, com Rússia, China e França apresentando objeções contundentes ao uso do poder militar para liberar a passagem.
Com informações de AFP

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